Um Museu, três exposições, uma tarde em cheio!



No domingo, a seguir ao almoço desafiei J. e fomos até ao Museu do Oriente. Numa tarde vi três exposições - o sonho de consumo de qualquer pessoa que aprecie estes programas culturais. 

Primeira paragem: "Cartazes de Propaganda Chinesa - A Arte ao Serviço da Política".  Entre paredes vermelhas e amarelas exibem-se cerca de 100 cartazes, que foram produzidos entre 1959 e 1981. São um verdadeiro testemunho histórico do período "que vai  do Grande Salto em Frente e da criação das Comunas Populares ao fim da Revolução Cultural.” Entre cores fortes e rostos sempre sorridentes passam-se mensagens como a glorificação do presidente Mao e dos heróis comunistas; a prosperidade da economia; a luta contra o imperialismo, etc. 

Nesta mostra temos 100 cartazes, mas nas épocas de 60 e 80 (do século passado) eram produzidos aos milhares. E para quê? Para passar a mensagem ao povo de qual o caminho que deveriam seguir. Estes cartazes andavam por todo o lado, eles faziam parte do quotidiano do povo chinês.

O que eu achei de mais interessante? Para além do seu valor histórico foi tomar contacto com o design da época. Os cartazes eram muito atrativos! Não admira, pois, que fosse fácil convencer qualquer cidadão chinês de que “o futuro radioso da China comunista era com o super-herói Mao a conduzir o país à felicidade e à glória.” 

Segunda paragem: para trás fica a sala colorida da China e entramos na sala a preto e branco "Do Vasto e Belo Porto de Lisboa". Fotografias, muitas fotografias nestes dois tons revelam o que era o Porto de Lisboa no final do século XIX, início do século XX. São mais de 70 fotografias das 6000 que pertencem à coleção da APL - Administração do Porto de Lisboa.

Curioso ver estas imagens que mostram uma realidade que não testemunhei. Uma realidade povoada de crianças, mulheres, operários, pescadores, peixeiras, polícias, engenheiros... Todos eles fizeram parte da vida do Porto de Lisboa. Uma realidade que desconheço, porque tudo agora é novo. Agora temos gruas que movimentam grandes contentores, não temos homens que transportam sacos às costas; agora temos cais de cimento armado construídos graças às novas tecnologias, não temos docas construídas à mão.

Assim se sente e se vive o progresso, graças a estas fotografias a preto e branco.

Última paragem: mantém-se o preto e branco, mas agora a tinta da china. E da Lisboa do século passado viajo para Macau de Charles Chauderlot. "Macau.Memórias a Tinta-da-China" mostra em paredes amarelas e pretas obras deste pintor que imortalizam o "glorioso passado marítimo de Macau". Os seus traços perfeitos revelam edifícios de uma cidade que em tempos idos foi "um próspero entreposto comercial para Portugueses e Chineses".  Segundo o autor são "apontamentos da alma de Macau". Confesso que esta exposição reavivou em mim e em J. a vontade de conhecer esta antiga colónia portuguesa. 

Se quiserem visitar as exposições fiquem a saber que: "Cartazes de Propaganda Chinesa - A Arte ao Serviço da Política" estará patente até dia 27 de outubro; "Do Vasto e Belo Porto de Lisboa" termina a 27 de maio e "Macau.Memórias a Tinta-da-China" encerra as suas portas a 30 de junho. Portanto ainda vão a tempo de agendar a vossa visita e desfrutarem de um momento cultural na companhia de obras únicas e de grande valor histórico.

Agora só aqui para nós que ninguém nos ouve... das três, a exposição que mais apreciei, foi a última... E assim se contraria o provérbio " não há amor como o primeiro" ;)

Se forem visitar, ou se já visitaram partilhem comigo a vossa experiência!











Sem comentários

Com tecnologia do Blogger.