De férias... parte V - Uma visita diferente...


Nunca gostei de ir a cemitérios... Nem de lhes passar ao lado. Achava tudo muito mórbido e triste. Se há uns anos me tivessem dito que ainda iria fazer uma visita guiada ao Cemitério dos Prazeres, provavelmente teria dito que isso seria impossível. Mas na verdade não há impossíveis! 

Li há tempos uma reportagem na "Time Out" sobre o Cemitério dos Prazeres e percebi que poderia olhar esta "cidade dos mortos" de uma outra forma. Poderia olhar este local numa perspectiva histórica, arquitetónica, simbológica, artística... Afinal o Cemitério dos Prazeres está no Roteiro Mundial de Turismo e é muito procurado pelos turistas estrangeiros mais habituados a este tipo de visitas. 

Confesso que a reportagem me deixou com a pulga atrás da orelha e desde então tenho esperado pelas férias para visitar o dito. As visitas guiadas são gratuitas e podem ser de caráter geral ou temáticas, sempre de segunda a sexta feira.

Na passada terça feira lá fui para este programa muito alternativo. Mas devo dizer-vos que estava bastante entusiasmada, para descobrir o maior cemitério de Lisboa, fundado em 1833, logo após um surto de cólera morbus.

Foram 3 horas de visita! Acho que nos entusiasmámos e a nossa guia deixou-se levar pelo nosso entusiasmo. 3 horas para cima e para baixo descobrindo a bonita estatuária, a arquitetura funerária, a simbologia fúnebre, alguns jazigos de grandes personalidades, incluindo o maior jazigo da Europa! Sim! estou a falar-vos do Jazigo dos Duques de Palmela que pode ser visitado. Foi uma experiência entre o fantástico e o arrepio... Adorei as esculturas de José Simões e um relevo em pedra do escultor e arquiteto italiano Canova (cujos trabalhos já me tinham encantado quando estive em Itália)... mas depois descemos à cripta... A nossa guia, de lanterna em punho, levou-nos num percurso onde estão mais de 200 corpos... Digamos que foi um pouco estranho... num misto entre "quero sair daqui" e o "não sejas parva e toma atenção ao que a guia te está a explicar!"

Existem muitos pontos de interesse! Para ser sincera recebi tanta informação, que já nem consigo lembrar-me de metade, embora a nossa guia nos vá enviar informação via e-mail. 

Mas recordo-me perfeitamente do jazigo da condessa de d'Edla, construído por Raul Lino; do jazigo dos Bombeiros Municipais de Lisboa; do jazigo dos Escritores Portugueses (onde estão sepultados Natália Correia, Fernando Namora...); do jazigo de Aniceto Rocha (engenheiro militar) que foi enterrado de pé, numa sepultura desenhada por ele; e do jazigo de Alix Lesgards, professora francesa, que encomendou a estátua de um nu feminino, para colocar na sua última morada! Como devem calcular, em 1919 uma coisa destas foi motivo suficiente para uma romaria ao Cemitério dos Prazeres. Afinal de contas, foi a primeira estátua de uma mulher nua, exposta num local público!

Se tiverem coragem e caso se interessem por estas temáticas, recomendo mesmo! Basta enviarem mail para dmau.dhu.dgc@cm-lisboa.pt

E portanto aprendi uma grande lição: "Nunca digas desta água não beberei"!!! 
E mais! Sou menina para visitar o Cemitério do Alto de São João um destes dias!





1 comentário

Ana Miúda disse...

Gostei :) também adoro essas visitas. Vou só fazer duas pequenas correcções, as visitas são de 2ª a Domingo e o mail de marcação mudou, agora é dmevae.dgc@cm-lisboa.pt.

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