Um pouco de Tudo, por Aldy Coelho



COPA DO MUNDO NO PAÍS DO FUTEBOL

O grande dia
E a bola está rolando no país do futebol. Enfim começou a Copa no Brasil e estamos sob os olhares atentos do mundo todo. Como eu imaginava o Brasil simplesmente parou desde a última quinta-feira e o assunto do momento é a Copa do Mundo.
No dia 12, que por sinal parecia feriado nacional, o centro de Curitiba estava vazio no horário da abertura da Copa, coisa bem incomum por aqui. Nas ruas quase sem movimento, exceto pelas vias que levavam aos bairros, os carros e pessoas desfilavam com algum tipo de adereço que lembrava que era dia de jogo do Brasil. E eu, que não tinha uma camiseta em verde e amarelo, me senti meio deslocada, fora de contexto.
Quem não pôde sair mais cedo do trabalho teve que levar os petiscos e assistir os jogos junto com os amigos de trabalho. Quem foi liberado, passou pelos supermercados, encheram as sacolas e foram para casa curtir com a família e os amigos. Com tudo preparado: comida, bebidas, fogos de artifício (tal como as festas de fim de ano), televisão ligada, camisa no corpo ou bandeira na mão, todos se uniram em um só pensamento: #vaitercopa e #énobrasil.
Curiosamente, as manifestações diminuíram consideravelmente. As que aconteceram foram longe das arenas, com discurso sem profundidade e com contingente reduzido, A série de greves nos transportes públicos, que pararam a cidade de São Paulo dias antes e ameaçavam o evento, simplesmente cessaram, afinal, o espírito esportivo é muito maior!
Na tevê, a cerimônia de abertura da Copa foi alvo de críticas para os brasileiros, que esperavam algo de grandiosidade carnavalesca. Com criação da belga Daphne Cornez, a apresentação foi avaliada em cerca de 18 milhões de reais, levou 660 dançarinos para a Arena Corinthians e fez diversas referências à natureza e às danças regionais. Mas, à luz do dia, o efeito visual não funcionou muito, principalmente para quem viu pela televisão, como eu. A música tema, cantada em inglês por Jennifer Lopez e Pitbull, com uma participação da cantora brasileira Claudia Leitte, também parece que não conquistou. A apresentação foi rápida, com os cantores saindo de uma esfera que se abria ao meio e se transformava em palco. A quantidade de bailarinos não foi suficiente para preencher o espaço destinado à apresentação, e a lona amarela que cobria o gramado da nova Arena parecia atrapalhar quem estava dançando nela, demonstrando mais preocupação em poupar o gramado do que acrescentar ao visual da festa.
Confesso que não me recordo das aberturas dos mundiais anteriores, algumas imagens da internet mostram que a abertura da Copa no Brasil não foi tão diferente assim das outras, talvez com um pouco menos de emoção. Mas, um ponto positivo a se destacar foi o de não utilizarem a mistura ‘clichê’ de mulher, carnaval e futebol, tão conhecido por simbolizar o Brasil. Já um ponto negativo foi não explorarem mais um avanço tecnológico que proporcionou a um tetraplégico dar o chute inicial simbólico na ‘Brazuca’, a bola oficial da Copa. Vestindo um equipamento criado pelo projeto “Walk Again” chamado Exoesqueleto, Juliano Alves Pinto, de 29 anos, há sete meses treinava para usar o equipamento, que o permitiu ficar em pé após sete anos sem andar. A cena tão marcante foi exibida tão rapidamente que eu não vi, só depois durante as reportagens, uma pena.

Após a abertura, os corações foram a mil com a seleção em campo, Brasil X Croácia, o primeiro jogo. Já durante o hino nacional que, de acordo com as regras, deveria ter apenas 90 segundos, o público cantou a capela o restante, e os jogadores, com os olhos fechados, parecia entoar não um hino, mas uma oração. E logo nos primeiros minutos de jogo, um susto, o primeiro gol do Brasil foi um gol contra. Quase enfartamos. Mas como brasileiro não desiste e nunca cede à pressão, pouco depois o craque Neymar salvou a pátria, por duas vezes. Por fim, saímos vitoriosos por 3X1 e com a autoestima lá em cima. E assim, num dia cheio de acontecimentos, pra ficar melhor, só faltava ser feriado nacional no dia seguinte.
Os primeiros dias
Os dias seguintes não foram diferentes. As arenas espalhadas pelo Brasil têm sido elogiadas, os jogos aconteceram tranquilamente, sem problemas dentro e fora de campo. Como era suposto, o receio inicial de uma Copa do Mundo em meio aos protestos e manifestações foi suprimido pela boa organização e uma ótima performance dos times em campo. Se há problemas, são pontuais e não estão causando grandes transtornos para a população e turistas que vieram curtir a Copa.
Ainda tem muito a acontecer, mas, de acordo com o site Brasilpost, a imprensa internacional já avalia a Copa do Brasil como a melhor Copa da história, principalmente pelos resultados. Até o momento, a Copa do Brasil tem o dobro de número de gols que a Copa na África do Sul tinha em quatro dias, e alguns resultados surpreendentes como, por exemplo, a partida Holanda 5 x 1 Espanha e Costa Rica 3 x 1 Uruguai.
E quanto aos resultados surpreendentes da fase de grupos, não há como deixar de destacar o desempenho de países como Colômbia, marcando 3X0 na Grécia, Itália e Costa do Marfim, marcando 2X1 contra Inglaterra e Japão, respectivamente. 
Suíça, França e Argentina já se destacaram em seus grupos vencendo seus adversários. No jogo entre França e Honduras, a sensação foi a nova tecnologia que auxilia a comissão arbitrária com jogadas duvidosas, como no gol da França que, pelo vídeo, não era visível se a bola havia entrado ou não. Com o dispositivo, o juiz recebe em seu relógio se foi gol ou não, com precisão eletrônica.
Segunda (16/06)
A bola continua rolando por aqui. Hoje é dia de jogo nas cidades de Salvador, Curitiba e Natal. Como previsto, em Curitiba o jogo ocorre tranquilamente na Arena da Baixada (uma das Arenas mais problemáticas em sua construção, passando por várias avaliações da FIFA, com gastos exorbitantes, tudo para ficar no padrão exigido. Mas, como tudo no Brasil funciona sob pressão, o estádio que até poucos dias estava em obras, conseguiu sediar o seu primeiro jogo, e o primeiro 0X0 da Copa. Enquanto escrevo, assisto em casa a partida entre Irã e Nigéria, apesar de estar bem próxima ao estádio.
Há poucas horas, a Alemanha, tido como favorita, marcou quatro gols no time de Portugal, que se esforçou, mas não conteve a fúria alemã. Uma pena, eu estava torcendo por vocês! Talvez tenha sido a pressão da estreia, ou ainda a adaptação com o clima quente da Bahia que fez com que o rendimento fosse prejudicado, mas a verdade é que o jogo foi bem difícil. Agora, a equipe de Portugal vai precisar de mais garra para enfrentar seu próximo adversário. 
Mais tarde, Gana enfrenta o time dos Estados Unidos em Natal, na Arena das Dunas.
Terça (17/06)
Dia de jogo do Brasil. Para este, melhor reservar a próxima crônica!



Aldy Coelho
aldycoelho@gmail.com
(esta crónica é escrita em português do Brasil) 

A primeira crónica da Aldy Coelho sobre o Mundial de Futebol está aqui. Para ler oui reler ;)

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