Bons Sentimentos, by Marisa Pedroso

Campo com ceara ao vento e floresta ao fundo

Conheci a Fabiana numa consulta de sábado de manhã. 
Esta história é simples e traz Bons Sentimentos ao Armazém de Ideias Ilimitada.

A Fabiana chegou de longe e não tinha noção de que vinha para o meio do campo, porque vinha a um consultório no concelho de Cascais! 

Aqui, por vezes, ouve-se o vento como se o mundo fosse acabar ou, quando o tempo está sereno, ouvimos os porcos a grunhir e as galinhas a cacarejar.

Na primeira consulta da Fabiana, tivemos o vento como barulho de fundo e, na segunda, os animais a conversar e agitados.

A Fabiana queria deixar de roer as unhas através da ajuda da Hipnoterapia e foi por isso que chegou até mim.

Há histórias engraçadas e que demonstram claramente, que tudo pode mudar num segundo, que a nossa mente é capaz disso. 

Sugeri à Fabiana, um estado completo de concentração no objetivo que ela pretendia. Pedi-lhe que fechasse os olhos e que se concentrasse num estado interior, para darmos início à primeira sessão. 

A Hipnoterapia é um estado natural e, muitas vezes, experienciamos isso no dia a dia, por exemplo, quando estamos a ver TV, estamos tão focados no que está a acontecer no ecrã da televisão, que o nosso cérebro não está a viver mais nada. E estamos sempre completamente acordados e focados nos pensamentos, no que está a acontecer no momento presente. 

Na hipnoterapia, há assim, a possibilidade de existir fácil acesso ao conhecimento interior e à transformação do necessário para alcançarmos mudanças positivas. 

Nada é por acaso. O vento lá fora, durante a primeira sessão, fazia lembrar a Fabiana de quando era criança e dormia nas águas-furtadas em casa dos avós e, nesses momentos, tinha medo de ficar ali sozinha e rapidamente percebeu que foi aí que começou a roer as unhas.

Todas as nossas histórias estão gravadas no nosso corpo e a única coisa que podemos tentar fazer é mudar o sentir em relação a cada uma delas.

O vento, a partir daquele dia, diz a Fabiana, passou a ser algo que ela associa à paz de espírito. Pela primeira vez, deitou-se a ouvir o vento e com uma perspectiva diferente sobre isso. Deixou de ter medo. Retirámos o medo deste cenário, por isso, não é preciso roer as unhas!

Numa segunda sessão, os porcos e as galinhas estavam felizes. Havia uma grande festa lá fora. 

Quando começo a guiar uma sessão, fecho sempre os olhos e começo a ouvir o que se passa em volta, para esse som me conduzir e, depois, conseguir levar o paciente ao relaxamento. 

Nesse dia, pensei, "isto vai resultar de alguma maneira e todos estes sons não estão aqui por acaso, só pode"! 

A Fabiana já não roía as unhas há uma semana e, no fim da sessão e ao som da minha voz e das de todos os animais em festa, ela disse-me: "Sabes, percebi hoje que me faltam muitas coisas na vida. Uma delas é conhecer os animais, nem sabia que os porcos faziam todos estes barulhos e que o cantar do galo é diferente do da galinha. Agarro-me aos problemas e não vejo mais nada, agarro-me às unhas e fico ali bloqueada." 

Ora, o que aconteceu à Fabiana, acontece com todos nós. Quando pretendemos mudar alguma coisa, facilmente ficamos atentos a outras coisas. O foco deixa de ser um e passa a ampliar-se para mais lugares. 

Se desligamos a atenção do mundo exterior e tentarmos perceber o que se passa dentro do peito, podemos surpreender-nos com quem somos e o que estamos fazer connosco. 

Só posso ser feliz a fazer este trabalho e apreciar todas estas transformações na vida de cada um. 

Bons Sentimentos!

Marisa Pedroso


Photo by Zugr on Unsplash

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