Um encontro feliz com Rita Mendes


O nosso blog tem-nos proporcionado momentos únicos e que, provavelmente, nunca teriam existido se não tivéssemos seguido este caminho, este sonho! Através deste nosso trabalho, que é muito mais do que escrever, é sentir, é aprender, é encontrar... Temos encontrado projetos que merecem ser falados, temos encontrado pessoas especiais, pessoas que nos tocam o coração e nos acariciam a alma. Encontros felizes, que vão muito além de um post, ficam-nos gravados, para sempre, na memória. Encontros que mais parecem reencontros.  

Hoje estamos a escrever de uma forma mais emotiva porque é assim que nos sentimos. Porque somos emoções. Porque nos emocionamos com as pessoas que o universo coloca na nossa vida. Emocionámo-nos quando a Rita Mendes nos encontrou e emocionámo-nos quando nos encontrámos com a Rita no Souk  Mercado do Mundo para uma entrevista sobre o seu livro "Encontra-te".

Estamos tão gratas por este Encontro. Esperamos que a vida nos permita encontrar-te mais vezes, Rita! 

E agora é altura de vocês encontrarem este ser maravilhoso. É altura de se inspirarem com as suas palavras. Leiam o livro e marquem um encontro com a vossa essência!

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O que é isto do Counseling?      
Bem, isto vai acontecer como aconteceu com o coaching. Quando apareceu também era uma palavra estranha – "coaching, o que é isso?" – portanto, a minha esperança é que daqui a 2 ou 3 anos o Counseling já não seja uma palavra estranha. Então, o que é o Counseling? É um processo diferente do coaching. Costumo dizer que o Counseling vem antes de um processo do coaching, já que este último é para aquela pessoa que já sabe quem é, já se encontrou e possivelmente já sabe quais são as suas capacidades, mas quer pô-las em prática. E quer concretizar objetivos com as capacidades que tem. Portanto, é uma pessoa que já está bem, à partida, mas quer ficar melhor. Quer a nível pessoal, ou a nível profissional.

O Counseling vem antes disto tudo. E vem de uma necessidade, que eu também tive e com a qual me deparo agora que muitas pessoas têm, que é "afinal de contas, o que é que eu sou?", "quem é que eu sou?" Para além dos rótulos sociais, ou seja, "tenho 37 anos, sou a Rita, trabalho em recursos humanos, tenho duas filhas, sou casada"… Portanto, isto é o que dizemos automaticamente sobre nós. Mas o que é que eu sou? Sou uma miúda positiva, acredito em mim, ou não acredito, tenho amor próprio, quais são os meus objetivos e quais são os meus valores? Nós não vivemos sem valores, porque estes dão sentido à nossa vida. Eu tenho valores diferentes dos vossos em relação a dinheiro, a felicidade, a saúde, a trabalho, a casamento, a família… isto são valores. E o universo também é feito de valores, só assim conseguimos cá estar todos. O que é que acontece? Provavelmente, chego aqui a esta fase dos 30-35 anos, e se me perguntarem o que é, para mim, a família, a minha resposta é muito na base daquilo que me foi incutido, quer a nível familiar, quer por crenças que adquiri pela minha história de vida. A verdade é que os nossos valores e as nossas crenças podem ser alteradas. Ou acima de tudo podem ganhar sentido.



Então, neste processo de Counseling vou encontrar os meus valores, não aqueles que a sociedade, os amigos, me quiseram incutir. Vou aqui fazer uma paragem – costumo dizer que é parar para sentir – e ver se realmente embarquei numa crença ou num valor do qual não tenho bem a definição. Ou seja, é a diferença entre sentido e significado. Portanto, tenho o significado da palavra, mas preciso de saber se ela faz sentido na minha vida. Se fizer, tudo bem, eu arrumo, identifico e passo à frente. Então, o Counseling é isso mesmo. Costumo dizer que o Counseling é 'tirar uma selfie'. Nós somos muito bons a tirar a fotografia ao outro, a avaliar o outro – que ele é ansioso, que fala depressa, que fala devagar, que está bem na vida, que está a fazer mal… – mas para nós não sabemos fazer esta avaliação. E quando fazemos esta avaliação, fazemo-lo sempre em função daquilo que os outros disseram de nós. E acabo por me descrever em função daquilo que a minha família, o marido, os filhos, disseram de mim. Então, o Counseling é parar para sentir. E com a possibilidade de, à partida, saber que, se não gostar daquilo que encontrar, estou a tempo de alterar, de mudar. Como? Mudando a forma de pensar. E isso já é desenvolvimento pessoal. Só consigo uma mudança efetiva neste campo do desenvolvimento pessoal se alterar padrões de pensamento, e aí vou alterar a forma como sinto, como vivo as coisas, como vivo a realidade e a minha vida vai-se tornar noutra coisa muito melhor. Isto é o Counseling.

Como é que se passa da área da Gestão para o Desenvolvimento Pessoal e o Counseling?
Tive de fazer este processo comigo. Ou seja, antes de saber que ia enveredar por esta via profissional, e que ia ajudar outras pessoas, quis ajudar-me a mim. Eu queria perceber quais as minhas capacidades e, acima de tudo, o que é que me estava a limitar para não ser feliz. Porque eu tinha tudo. Tinha saúde, tinha amigos, tinha trabalho, tinha família, mas os meus dias eram uns iguais aos outros. Era uma vida muito sem sabor, muito confortável, mas sem sabor. E dei por mim a pensar "tenho de criar mais felicidade na minha vida. O que é que me está aqui a limitar?" e era precisamente a minha forma de pensar, que era sempre a mesma – que é aquela 'pescadinha de rabo na boca' – o nosso cérebro é muito preguiçoso. E portanto vai sempre buscar os mesmos registos até lhe darmos outros, que são as sinapses, os circuitos neurológicos. Se não criarmos outros, ele vai sempre ao que já lhe ensinámos. É contrariar a forma de ver a realidade e a forma de pensar. Por exemplo, é como associar que os carros vermelhos têm muitos acidentes, há esse mito, e eu já o adquiri. Portanto, não vou nunca comprar um carro vermelho. Criamos estes valores e crenças e de forma muito inconsciente isto limita a nossa vida. Então é começar a olhar para a vida como se fosse a primeira vez. E eu faço isso diariamente. Não julgo e tento olhar como se fosse a primeira vez, nunca vi. O que é que isso faz? Obriga o meu cérebro a adquirir novos conhecimentos e a 'arrumar' as coisas de forma diferente. Depois aí escolho o que mais me convém e o que me faz mais feliz. Portanto, isto do Counseling partiu da minha necessidade e depois gostei tanto e senti-me tão motivada, que gostava que outras pessoas percebessem que isto é tão fácil de fazer. E aí fui fazer a formação, o Master em Counseling, para conseguir ajudar outras pessoas com técnicas e ferramentas (que não são minhas, são estudadas). Porque é fácil. Então aqui o desafio, com muito sabor que isto tem, é ver pessoas a mudar. E isso vê-se nos retiros e nas sessões. É simples, a mudança é muito simples, basta querer.



Brincando com as 5 práticas essenciais de que falas no livro, temos agora 5 perguntas para ti:

O que Vês no mundo?
Vejo amor e muita oportunidade. É o que vejo todos os dias. O que vejo diariamente é que existe oportunidade para tudo, existe tempo para tudo, existem pessoas para tudo e dá-me vontade de abanar as pessoas para que vejam o mesmo que eu. Portanto, eu não vejo desgraça. Por exemplo, nós chegamos ao trabalho e temos um entusiasmo gigante a contar um acidente que vimos na autoestrada – que havia duas ambulâncias, que as ambulâncias pararam, e que a pessoa devia estar gravemente ferida… E para tudo ali na copa para ouvir um filme de terror. Mas não fazemos isto ao contrário. Por exemplo, eu vinha para aqui, pela Marginal, e vi o mar com uma energia fantástica a bater naquela costa. E ele está lá sempre, para nós. E porque é que não dizemos isto às pessoas? "Porque é que não vais ver o mar? Eu vi, e estava tão bonito, estava tão bom." É isso que vejo, que existem imensas possibilidades e que tudo pode ser convertido em felicidade e em amor. Se não o fazemos, é só porque ainda não estamos despertos para isso.



O que Sentes quando meditas?
Sinto uma paz! E sinto uma vontade de não parar de meditar. Meditar, para mim, é sentir como sou importante e como sou a única prioridade da minha vida. E já deixei amigos e família pendurados, literalmente mesmo, porque tive necessidade de 'ir ter comigo'. E sou uma pessoa de afetos e quando gosto muito, até sou muito chata [risos], e estou sempre muito disponível para os outros, mas isso é depois de ter estado disponível para mim. Portanto, o que sinto quando medito… sinto que sou a prioridade da minha vida. Mas não posso dizer isto a muita gente. Porque, por exemplo, há mães que me dizem: "prioridade são as tuas filhas." Não, não são. Não são mesmo. E posso chocar, mas não é… nunca foi. Mesmo sem ter este conhecimento que tenho agora, e estas bases, e que sei porque é que isto faz sentido, aliás, mesmo sem saber porque é que isto faz sentido, eu já era assim. E perante isto há pessoas que dizem logo "tu és egoísta". Eu digo não. Eu tenho amor próprio. Eu respeito até onde estou a ir contra mim mesma. Costumo dizer outra coisa que é: Todas as pessoas, todas, todas mesmo – filhos, maridos, mães, pais – toda a gente tem um tempo na nossa vida. Umas vão ficar muito tempo, que é aquilo que nós queremos, outras vão ficar pouco tempo. E é assim. O meu tempo só não acaba comigo. Eu vou ter de estar comigo sempre. Portanto, tenho de me respeitar. Porque as minhas filhas são livres. Tenho uma filha que vai fazer 18 anos em junho, a partir de dia 17 de junho ela é livre. Não posso amarrá-la, está fora de questão. Portanto, as pessoas têm um tempo certo na nossa vida. Se não me respeitar, quando essas pessoas forem embora da minha vida, não sei quem sou. E nunca me estou a dar valor. Se eu estiver bem comigo, rapidamente vou buscar outras para substituírem essas. Não com a carência de afetos que temos, mas isto é difícil de colocar na cabeça das pessoas.



Qual o impacto de Agradecer na tua vida?
É grande. Foi o capítulo que mais gostei de escrever, porque era aquele que fazia menos sentido. "Agradecer? Agradecer o quê?" E também passei por isso, que era passar a minha vida a reclamar, só a pedir coisas… mas já vamos ao pedir… [risos] a exigir coisas e a contestar. O agradecer – e vou ter agora precisamente o retiro da primavera e o tema é a gratidão – até que ponto é que sabemos o que é isto da gratidão e sabemos agradecer? Isto aprende-se. E é como a meditação, quando entramos neste caminho, ele é tão saboroso que já não queremos outra coisa. E agradecer, o impacto que tem na minha vida é eu estar muito mais atenta para a vida que tenho. Porque quando temos o hábito de agradecer – e isto constrói-se, bocadinho a bocadinho, não é de um dia para o outro –ficamos atentos e, de facto, a minha vida é uma bênção. Tudo tem um sentido de gratidão na nossa vida, só que culturalmente não fomos ensinados a agradecer. E o "obrigada", aquele que usamos de cor, não é agradecer. É como o "bom dia", eu dou bom dia por tudo e por nada, e não estamos efetivamente a desejar um bom dia à pessoa. Quando dizemos "bom dia", não estamos a dizer "quero que tenhas um dia feliz", é mais um "olá". É como o “desculpa”. Então, o agradecer não é o "obrigada" do código social, mas é estarmos atentos ao que a vida nos dá. E a vida dá-nos muitas coisas, só acordar todos os dias é maravilhoso, com saúde, com olhos para ver, com pernas para andar… quer dizer, achamos isto tudo muito simples, mas é tanto. Basta ver quando estamos constipados, só assim uma gripezinha, ficamos logo "aiiii estou tão doente!" Portanto, é agradecer e aí a vida também nos dá mais e é boa para nós.



Agora que te 'encontraste', o que Pedes a seguir?
Para não me perder de vista. [risos] Estou tão feliz de me ter encontrado, que quero cuidar deste encontro e quero cuidar de mim. Quero pedir as pessoas certas, quero pedir para ter as atitudes certas, no fundo, ter um guia para ter no meu caminho tudo aquilo que me faz falta. E mesmo as adversidades também fazem falta, e eu aceito-as. Aqui a questão do pedir é também preciso saber o que pedimos para nós. Até que ponto aquilo que pedimos para nós é o que conseguimos manter. Por exemplo, não posso pedir um avião, porque eu não sei pilotar. Então, pedir dentro das nossas capacidades.

Esta tua recente viagem a Marrocos foi uma forma de Agir?
Foi, foi. Esta viagem a Marrocos deixou-me orgulhosa de mim. Ir para um país culturalmente muito diferente, onde ouvimos muitas histórias, que as mulheres desaparecem… E foi um desafio. Eu não domino a língua francesa, não sei falar mesmo, portanto, disse a mim mesma: "Vou para Marrocos, eles falam francês e eu não sei dizer nada. Mas vou conseguir safar-me, até porque também sou moura" [risos] e, portanto, efetivamente senti-me em casa. É estranho senti-me lá muito bem e foi uma forma de me colocar em ação. Porque quando queremos testar e mudar é preciso tomar a ação. Só na ação é que conseguimos perceber se damos conta do recado. Ou aprendemos a lição ou não. Porque ler e ficar sentado no sofá não chega. Tirar uma licenciatura ou um mestrado e continuar a estudar para o mestrado seguinte, não vamos colocar as coisas em prática. Então, a ação é muito importante, é o passo final de toda a aprendizagem.



O que 'encontraste' em Marrocos?
Voltei a encontrar-me. Já tinha estado em Marrocos, mas nunca tinha ido no deserto. E no deserto encontrei um silêncio muito desafiante. Fui para lá sem procurar muitas descrições do que tinha sido o deserto para outras pessoas. Quis testar o que aquilo significava para mim. E senti muita vontade de ter mais momentos no deserto, que podem ser no meu quarto, no meu local de trabalho… encontrar um silêncio absoluto, porque é no silêncio absoluto – e foi no deserto onde passei muitas horas sozinha, até porque não falava francês e, portanto, ninguém queria falar comigo [risos] – que percebi que realmente o silêncio é o melhor conselheiro. Dizem que "a almofada é o melhor conselheiro", mas por acaso discordo, porque estamos a dormir e portanto… agora o silêncio, acordados, realmente faz-nos refletir no nosso caminho. O que é que encontrei? Encontrei que quero mesmo seguir este caminho de desafiar outras pessoas a virem ao deserto – e em outubro vou lá com um grupo de pessoas – e também não vou romancear para que eles possam provar daquele silêncio arrebatador.

Viste o nascer do sol?
Vi o nascer e o pôr do sol. E é muito bonito! E bonito porquê? Porque a areia e o céu mudam de cor. À medida que o sol vai nascendo, ou se vai pondo, aquela imensidão de areia muda de cor. Tenho fotografias com espaçamento de minutos e as cores são diferentes, parece que andei a trabalhar as cores. E só no deserto é que consigo ver essa magia da natureza. Quero lá voltar.



Como é que está a correr esta experiência do livro e que feedback tens tido?

Escrever um livro, ia mentir se dissesse que não queria ter feedback. Escrevi o livro e o feedback é muito importante para mim, e tem sido muito bom. Não sendo falta de humildade, era aquilo que eu estava à espera. Era tocar nas pessoas. E há pessoas que estão com o livro nas mãos e que faz sentido naquele momento, porque acho que um livro serve a cada momento, e não serve todos ao mesmo tempo. Mas a maior parte das pessoas estava a precisar daquele caminho. E isso é bom porque o feedback que tenho é que as pessoas não largam o livro, ou levaram para a mesa de cabeceira, ou andam com ele na mala, e recebo fotografias de pessoas que não conheço, que foram de férias, agora da Páscoa, e que levaram o livro, porque disseram-me que sentiram falta de continuar a ler. E isso é muito bom. Porque o desafio é mesmo que o livro seja um guia, um guia que me fez falta a mim, na altura, então, quis oferecer aquilo que na minha realidade me fez falta. O livro é realmente muito simples, mas acredito que é na simplicidade que temos as nossas maiores mudanças. E estou muito feliz com o feedback, está a correr muito bem. As pessoas perguntam-me se vou escrever outro livro, eu digo não, este ainda tem tanto para explorar.

Rosarinho e Susana Figueira

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A linda Rita levou um pouco de nós para o deserto 💛💛💛

Nota: Se ficaram curiosos e interessados no trabalho da Rita, sigam a sua página de Facebook Rita Mendes Counseling.

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