O Mundo dos Livros, by Anna



"Adeus Coisas", de Fumio Sasaki


"A felicidade é interior, não exterior, portanto, não depende do que temos, mas do que somos", disse Henry van Dyke no século XIX. Hoje, parece que esquecemos essa grande sabedoria. Somos constantemente bombardeados por publicidade e vivemos num mundo que produz cada vez mais, respondendo ao nosso consumismo frenético. Deixamos os objetos apoderarem-se dos nossos lares e das nossas mentes, roubando-nos a paz interior e afundamo-nos num estado de busca permanente pelo novo.

No entanto, a felicidade não está no que temos, mas nas experiências que vivemos. A felicidade não se busca fora, mas sim dentro de nós. Cada vez mais pessoas fazem sua esta mensagem, abraçando o minimalismo e levando uma vida simples que não é baseada em objetos e bens, mas no desejo de espaço, tanto físico como mental, para viver as experiências que desejam.

O jornal The Guardian publicou o ano passado a história de Fumio Sasaki, um editor japonês e autor do livro "Adeus Coisas", que abraçou por completo o minimalismo e só vive com o mínimo indispensável. 

A sua história é iluminadora já que é a história de milhões de pessoas. Este foi o livro que mais me inspirou ultimamente e me deu conselhos geniais, apesar de não ser tão radical quanto o autor (pois não me livrei de tudo o que tinha em casa, claro) libertei-me de tudo o que realmente estava a mais. 

Fumio Sasaki menciona várias vezes Marie Kondo, a autora do best-seller mundial "Arrume a sua casa arrume a sua vida", e ambos os livros seguem a mesma linha de pensamento e complementam-se muito bem, mas confesso que "Adeus Coisas" me tocou mais fundo.

Sasaki deixa-nos alguns conselhos muito valiosos que nos podem ajudar a realizar uma limpeza profunda no nosso estilo de vida, tais como:

Esquecer a ideia de que não nos podemos descartar das nossas coisas
Podemos, sempre, desfazer-nos de alguma coisa. Existem muitos objetos que realmente não necessitamos ou que não têm nenhum significado emocional para nós.

Quando nos desfazemos de algo, ganhamos mais do que perdemos
Não só ganhamos espaço como também desapego e liberdade.

Perguntamo-nos porque não nos podemos separar das nossas coisas
É provável que, no fundo, estejamos a viver no passado ou nos identifiquemos demasiado com as coisas que possuímos.

Todos temos limites
O cérebro, a energia e o tempo são limitados, então, não os desperdicemos em coisas que não nos trazem realmente felicidade.

A diferença entre o que queremos e o que necessitamos
Assim não compraremos por impulso e evitamos encher a casa de objetos inúteis. Desta forma, também será mais fácil limpá-la e arrumá-la.

Descartar algo agora mesmo
Não deixemos para depois. Adiar é uma desculpa para não se realizar mudanças. Podemos começar por nos livrarmos de objetos que tenhamos duplicados e daqueles que não usamos há mais de um ano.

Esta viagem ao minimalismo não se concentra nos objetos, estes são só uma desculpa para o processo de transformação que ocorre dentro de nós. É uma viagem cujo objetivo é libertarmo-nos dos laços sociais que nos prendem ao consumismo. Isso significa que não temos de nos sentir culpados se encontrarmos algo que realmente amamos.

O objetivo não é mudar os laços do consumismo pelas estritas regras do minimalismo, mas encontrar um equilíbrio entre o nosso bem-estar e os objetos, entre o que realmente necessitamos e desfrutamos e o que compramos e armazenamos por exigências sociais. Esta é uma viagem que vale a pena empreender.

Minimalismo é liberdade.

Boa leitura!

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