Uma miúda em Nova Iorque #3

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Estão a ver a expressão "em Roma sê romano"? Pois os nova-iorquinos levam-na muito a sério e a grande maioria das pessoas com as quais interagimos,  nascidas e criadas na Big Apple, brindava-nos com esta máxima.

De facto, há lá melhor maneira de conhecer um país do que, pelo menos uma vez que seja, 'despirmos' a pele de turistas e 'vestirmos' a camisola local?

E foi precisamente isso que fizemos num dos dias que passámos em Nova Iorque. Depois de já termos 'turistado' pela zona durante o dia, decidimos que iriamos regressar a Greenwich Village para um final de tarde e noite na fantástica zona de Lower Manhattan, ou Downtown! Esta é uma zona que recomendo meeeesmo, se visitarem a cidade! 😉


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O plano, pouco planeado, foi andarmos a vaguear pelas ruas mais residenciais a descobrir recantos arquitetónicos desta que foi, desde cedo na história da cidade, a zona escolhida por artistas e escritores para morar. Nomes como Edgar Allan Poe ou Mark Twain, Eugene O'Neill ou Isadora Duncan são apenas alguns dos que se deixaram encantar por esta zona. E já que falo de escritores… há livrarias tradicionais lindas de morrer! Daquelas que apetece entrar e perdermo-nos infinitamente por entre os livros! 💛

Ao vaguear pelas ruas de Greenwich Village percebe-se perfeitamente que se respira arte por ali, ou como os próprios nova-iorquinos a definem "é uma combinação de museu e galeria de arte ao ar livre". Não é por acaso que algumas produções televisivas de sucesso foram gravadas ali, como é o caso da série "Friends", que celebrizou a atriz Jennifer Aniston. Aliás, reconhecem o corner na fotografia? É claro que passámos por lá! 😊


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Greenwich Village foi também, na década de 1960, palco de várias manifestações antiguerra do Vietname, de luta da comunidade hippie pela liberdade sexual e, mais tarde, acabou por ser o local de fixação e crescimento da comunidade LGBT nova-iorquina (que, entretanto, segundo o guia que nos acompanhou numa tour noturna pela cidade, se tem vindo a deslocar mais para a zona de Hell’s Kitchen; no entanto, é ainda visível que esta é uma zona mais liberal).

As duas coisas que realmente tínhamos planeado para este final de tarde e noite, ou seja, aquelas que queríamos mesmo fazer eram: ir à procura da melhor pizza de Manhattan e assistir a um concerto de jazz num pub local. E foi o que fizemos!

Seguindo uma dica do mesmo guia, "se vais a Greenwich Village e queres comer pizza, 'the best spot in town' é o John's of Bleecker Street", aberto em 1929 pelo imigrante italiano John Sasso. E acreditem que é de comer e 'babar' por mais! O espaço é pequeno, mas super acolhedor. O atendimento é simpático e eficiente. O ambiente é descontraído e com boa música de fundo. A comida e a cerveja valem, definitivamente, a experiência.


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Já com as barriguinhas cheias, o trio de primos da 'vida airada' dirigiu-se para o The Cornelia Street Cafe, cuja referência já levávamos na bagagem. E o que dizer do The Cornelia Street Cafe? Em primeiro lugar, é um espaço que vai fazer 41 anos de existência (4 de julho), portanto, um sítio com história e estórias.

A nossa começou por fazer-se de uma divertida e agradável conversa com a barmaid, Katty do Ohio, no bar do restaurante do The Cornelia Street Cafe, que nos entreteve enquanto o espaço underground onde se realizam as atuações, uma cave, não abria. Os dois espaços – o do café e o das atuações – são geridos de forma separada. E a Katty foi, sem dúvida, uma ótima entertainer.


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O tempo voou e a atuação ia começar. Descemos para o espaço underground e deparámo-nos com uma sala pequena, comprida, mas cheia daquele charme boémio que tão bem caracteriza os ambientes de performances jazzísticas. Para consumo, obrigatório, mais uma rodada de 'jolas' na mesa (que devo dizer, são XL, como tudo naquela cidade) e 'let the musicians play'!

Devo dizer-vos que assistir a um 'jazz gig' era mesmo uma das coisas que levava na minha 'to do list' em Nova Iorque! A banda – Peter Kronreif’s Wayfarers, com Peter Kronreif na bateria, Andrew Gould no saxofone alto, Matt Marantz no saxofone tenor, Addison Frei ao piano (que estava a substituir Florian Hoefner) e Martin Nevin no contrabaixo – tocou várias músicas de um disco composto maioritariamente pelo 'homem do leme' que lhe dá o nome, numa apresentação que foi fluindo entre o jazz tradicional e alguns trechos mais experimentalistas. E os rapazes corresponderam às expectativas! 😊


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E querem saber uma curiosidade? De cada vez que Peter Kronreif apresentava uma música, eu tinha a forte convicção de que, mais do que não ser nova-iorquino, era europeu. Ao que, no final, quando o congratulámos pelo show e lhe disse que tinha reparado que ele não era norte-americano, o rapaz disse, em jeito de brincadeira, que tem de "trabalhar o seu sotaque em palco, porque o denuncia muito". 😊 Peter Kronreif é um austríaco em busca do sonho em Nova Iorque!

Com mais este check na 'to do list', esta fantástica noite chegou ao fim! Era hora de apanhar o subway, direção Uptown até Times Square para um sono revitalizante no hotel, para ficarmos em forma para mais um dia a 'turistar' pela Big Apple!

Susana Figueira

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2 comentários

Anónimo disse...

Muitos parabéns pelo texto! Fica a vontade de conhecer! Viajar é tão bom!

Armazém de Ideias Ilimitada disse...

Gratas pelas palavras! E sim, viajar é maravilhoso! Trazemos tanto connosco, dentro de nós! :-)

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