Trocar correspondência

 escrever cartas


Eu ainda sou do tempo (estranha forma de iniciar um post... estou-me a sentir velha!) em que trocava correspondência com amigos de vários pontos do mundo, os apelidados Pen Pals. Numa fase inicial escrevíamos à mão e depois as cartas começaram a ser escritas no computador (que chique). Tinha amigos em Itália (ainda mantenho uma amizade em Roma), na Austrália, no Brasil, em Inglaterra, na Guiné e em Macau... Enfim quase um amigo ou dois por continente... Quase!!! Falhou-me a Antártida. Até tinha amigas que viviam a menos de 10 km de minha casa com quem trocava correspondência nas férias grandes. E era muito divertido. Todos os dias o ritual de passar pela caixa do correio era religiosamente cumprido. Ansiava por notícias além fronteiras, fotografias e mimos. Viajava! 

O tempo foi passando, outros interesses surgiram na minha vida e fui perdendo o hábito de escrever cartas, mas o gosto por trocar correspondência não morreu, apenas ficou adormecido. Hoje em dia quem é que escreve cartas à mão? Está por aí alguém? As novas tecnologias encurtaram as distâncias e permitiram falar com os amigos em tempo real. E vão mais longe, ajudam a encontrar o amigo que ser perdeu algures na nossa adolescência. Mas confesso, aqui e agora, que voltei a escrever cartas à mão e a enviar pequenos souvenires pelo correio à malta amiga. E tudo muito por causa de um artigo de Anna Alicia, que li na Revista "In the Moment" de janeiro (esta revista é muito inspiradora, já a mencionei em alguns posts). Revi-me nas suas palavras e voltei a sentir aquela alegria simples e romântica de me sentar à secretária e de começar a escrever num papel de carta bonito ou num postal (talvez um ou outro da minha coleção, quem sabe?). E mais recentemente li um post da Margarida Pestana no seu Instagram sobre este assunto, precisamente no dia em que tinha enviado uma carta para a querida Cláudia Silva Mataloto (Fruta da Época), que agora está na Toscana. Tão bom encontrar pessoas que partilham as mesmas paixões.

escrever cartas

escrever cartas

Um hábito que eu nunca perdi foi o de enviar postais de Natal. Eu acho isso lindo e adoro receber, ok? Só para saberem! Podem encher a minha caixa do correio de postais de Natal que eu agradeço e retribuo! Todos os anos compro os postais da APBP - Artistas Pintores com a Boca e o Pé e inspiro-me na quadra para encher de amor os dias de quem recebe os meus escritos.

postais dos Artistas Pintores com a Boca e o Pé

Atualmente alguns dos meus queridos amigos vivem fora de Portugal: Londres, Manchester, São Paulo, Siena, Roma e deu-me vontade de voltar a escrever longas cartas à mão e de juntar pequenas lembranças que lhes aqueçam a alma e o coração... Mas não me vou ficar por aqui, apetece-me alargar este hábito ao leque de amigos que vivem mais perto. Quero que eles sintam aquela emoção de abrirem a caixa do correio e serem surpreendidos por uma carta minha, ou um postal (ALERTA: as férias aproximam-se!!). A Susana, a outra miúda aqui do blog, já foi apanhada nas malhas das minhas cartas ;)

postais turísticos

E para terminar deixo aqui uma frase da Anna Alicia na qual me revejo a 100%.
"Mas há algo de especial, e imprescindível, em enviar, de vez em quando, coisas pelo correio tradicional. Nunca perco a alegria de ter algo para abrir, para descobrir."

Qual foi a última carta escreveram à mão? 
Qual último postal que enviaram? 
Qual última encomenda, cheia de mimos, que despacharam pelo correio?


marco do correio

Rosarinho

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