Falar sobre Dot Journaling - uma experiência fantástica




Na semana passada vivi uma experiência fantástica. Quando nos tiram da nossa zona de conforto e nos lançam numa nova aventura só podemos agradecer. A Laura Mateus Fonseca do projeto "Então, queres ser escritor?" convidou-me para falar sobre Dot Journaling num dos 3 workshops de Escrita Criativa organizados pelo NALLT - Núcleo de Alunos de Línguas, Literaturas e Tradução. E aqui a miúda lá se meteu a caminho de Lisboa, rumo à FCSH da Universidade Nova, numa tarde de segunda feira, com o coração a bombear alegria para todas as partes do corpo.


Falar sobre algo que adoramos é fácil. Os nervos estão lá. É inevitável. Quando tens perante ti uma plateia seja de 3 ou 300 pessoas sentes sempre aquele nervoso miudinho. É natural. Mas depois tudo flui. E foi assim que aconteceu neste Workshop de Escrita Criativa. Porque eu partilhei com a plateia a minha experiência, os meus pequenos e tímidos passos neste mundo fantástico do Journaling, com o coração aberto. Falei da minha realidade, dos meus hábitos e disciplina, das minhas fontes de inspiração e de como esta prática me tem ajudado a estar mais organizada e com a criatividade em alta. Uma prática que em muito se assemelha ao Caderno de Escritor.


Dot Journaling


Tive, ainda a oportunidade de assistir a um dos exercícios deste Workshop e ouvir o que alguns dos participantes escreveram. Senti uma grande vontade de voltar a participar neste tipo de iniciativas. Desbloquear a criatividade é essencial para quem escreve. Por vezes estou frente ao meu computador. Sei sobre o que quero escrever mas falta aquele empurrão inicial... a primeira frase que desbloqueia. É preciso criar a história que quero contar, dar-lhe uma estrutura (ligar as ideias que fervilham na minha cabeça) tornando-a cativante para que o leitor viaje nas minhas palavras. Tenho consciência de que a Escrita Criativa é uma ferramenta de poder. E isso sentiu-se nos textos que foram lidos naquela sala de aula.

ADOREI!! Sim com letras maiúsculas! Porque quando regressei a casa estava muito feliz, mesmo! Mas este post é muito mais do que contar-vos como foi a minha experiência. É partilhar um outro exercício que os participantes fizeram e que me  deixou de boca aberta. Já ouviram falar do " Cadavre-Exquis"? 

"É um Jogo de papel dobrado que consiste em fazer compor uma frase ou um desenho por várias pessoas, sem que nenhuma delas possa aperceber-se das colaborações precedentes."

O mote deste exercício foi 'O mundo às avessas!' e teve esta imagem como inspiração:


O texto saído deste exercício, produzido pelos participantes do Workshop de Escrita Criativa do dia 22 de outubro, poderia ter tido um resultado nonsense. Mas tenho de vos dizer que está excelente. Cada um escreveu o que viu e/ou sentiu sem que o outro lesse. E assim este texto virado do avesso, escondido nas dobras do papel foi tomando forma e o resultado é absolutamente fantástico.


Não percebi bem o que ela quis dizer, mas assenti e desdobrei-me em três, o que, como deves calcular, foi um bocado complicado, tendo em conta que estava a caminhar para o teto. Num mundo às avessas, ponho-me então eu de pernas para o ar de modo a conseguir ver a realidade com uma maior clareza. Estava condenada a ver o tempo a passar por ela. Já virei tudo ao contrário, mas não encontro o pão. Será que o comi? Será que o cheguei a comprar?

Pois, então que fazer? Que complexo estranho este, afligindo a realidade com dilemas subversíveis e banais como deitar às 8 da manhã e acordar às mesmas da noite para jantar cereais e tomar um pequeno-almoço de sopa e um prato de entrecosto. E para abrir a janela, saindo na entrada do rés-do-telhado? O Planeta roda e sinto que eu rodei também.

Os pratos a mais, sempre prontos e cheios de comida para dar as boas vindas aos convidados do outro mundo. No fim de contas, não é preciso complicar as coisas. Se isto não me chegasse, aí é que teria o mundo ao contrário. Não sou eu quem vive entre quatro paredes que me deprivam de liberdade. Aos dez anos começou a andar de cabeça para baixo, invisível aos comuns e incapaz de se virar. O que antes vi ao chão, agora está sobre mim. Revezo meus conceitos. A cabeça para o ar! Sinto os meus pés a descolar. E num acesso de violenta complacência, o pacote de sumo abandonou a prateleira e desmaiou para o teto.

Rosarinho

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