Livros à Sexta

Clube de leitura - Livros à Sexta

A malta gira do Clube de Leitura - Livros à Sexta já se juntou para o último encontro antes das festas. E como não podia deixar de ser, quisemos que este momento já tivesse o cunho do Natal. Desafiámos as nossas queridas amantes de livros a praticarem o desapego. A ideia era desapegarem-se de um livro das suas estantes para uma troca animada neste encontro. Ora, nem todas tiveram sucesso nesta demanda. Para algumas ainda é difícil abrir mão de um livro. Mas a alternativa que encontraram foi muito boa! Passaram pela Déjà Lu, a livraria solidária dos livros já lidos e compraram um livro contribuindo, assim, para uma causa solidária (100% das vendas reverte para a Associação Portuguesa de Portadores de Trissomia 21). Está tudo certo!

Antes de avançarmos com o debate sobre o livro definido para este encontro e ainda contagiadas pela passagem de James Bowen e do gato Bob, por Portugal, apresentámos o último livro desta dupla inspiradora, com a chancela da Porto Editora, "O que aprendi com Bob".

Livro - O que aprendi com Bob

Bom, se era o encontro antes do Natal, aqui as miúdas e a Catarina Vitorino (dinamizadora do Clube de Leitura) brindaram as outras miúdas com uma tábua de chocolates artesanais, preparada com muito carinho pela Daniela do Souk - Mercado do MundoChá, vinho (para algumas) e chocolate, a mistura perfeita para se debater livros. Não acham? Nesta sessão, o livro em cima da mesa era "Vagabundos de Nós", de Daniel Sampaio, título recomendado por uma das nossas leitoras, cuja história a marcou num remoto verão entre 2003 e 2004. Na altura, o tema do livro, a homossexualidade e a relação familiar face a esta 'diferença' foi algo que a nossa querida leitora testemunhou muito de perto. 

Chocolate artesanal - Souk Mercado do Mundo

Nestes nossos encontros, existem livros que arrecadam opiniões muito diferentes, mas existem outros que acolhem quase a unanimidade. Foi o caso de "Vagabundos de Nós". Talvez pela distância temporal em que foi escrito, hoje, o tema apresentado pareceu-nos já um pouco distante da realidade atual. Claro que esta questão ainda é sensível e fraturante, mas a verdade é que a homossexualidade já não é aquele 'bicho papão' guardado no armário. E ainda bem.

Acho que todas lemos o livro com alguma dificuldade. Por um lado, uma mãe que viveu em dor ao longo de 22 anos e um filho que sente não pertencer a lugar nenhum. O constante sobressalto de Luísa (a mãe), face aos conflitos interiores que ia pressentindo em Diogo (o filho) e que apontavam para uma realidade que ela não queria aceitar, gerou em nós uma angústia constante. Por outro lado, esta relação doentia e as pistas que íamos recebendo sobre a possível homossexualidade de Diogo poderiam ter sido mais fáceis de ler e aceitar se intercaladas com saber técnico do autor. Só porque Diogo é mais sensível, não gosta de futebol, adora música clássica, ganha o direito de ser etiquetado como homossexual? Não nos parece. Talvez na altura assim o fosse, mas a verdade é que hoje em dia estamos a desconstruir aos poucos estes estereótipos. Os preconceitos ainda estão muito marcados neste livro. (Mas tudo isto fica mais claro se contextualizarmos o livro no tempo).

livros à sexta

Foi ótimo termos lido "Vagabundos de Nós", porque estimulou uma discussão muito interessante no grupo. 

Só porque temos uma escolha diferente daquilo que é estipulado pela sociedade estaremos condenados? Ter um filho ou uma filha que escolhem um caminho divergente às normas impostas, àquilo que é 'certo', será uma fatalidade? Fatalidade é não ter coragem de sermos genuínos. Fatalidade é vivermos segundo aquilo projetam para nós. Com isto não descartamos a angústia de um pai ou de uma mãe perante a realidade da homossexualidade, perante as suas expectativas estilhaçadas no chão, perante o medo que todas as noites dorme a seu lado. O medo do que os outros podem pensar, o medo da discriminação, o medo de serem observadores passivos do sofrimento dos seus filhos. 

Mas cada um é o que é! E a aceitação faz parte do caminho.

Este debate gerou apetite e os chocolates foram devorados!! No fim, fizemos a nossa troca de livros e cada uma levou para casa o que o acaso (ou talvez não) ditou. Regressamos a 18 de janeiro ao Souk para debatermos o livro "Mãe, promete-me que lês", de Luís Osório. Parece que a temática das relações familiares vai continuar pelo Clube de Leitura - Livros à Sexta.

Livros à Sexta

Mãe, promete-me que lês

Rosarinho

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