Uma lufada de romantismo, by Filipe Correia

Uma lufada de romantismo, by Filipe Correia armazém de ideias ilimitada miúda castelo

Tanto te esperei e imaginei que acabei por chegar a ti, penso eu... Eras tu que ontem oscilavas no baloiço das minhas conceções vadias? E que hoje caminhavas num passeio de um palmo de largura? Avistei-te numa proximidade tão grande de dezenas de metros, que quase senti o teu pestanejar e o vento da tua expiração causou tornados nos meus sentidos. O equilibrismo que fazias para não tombares para os lados, era igual ao que eu faço para me manter à tona da esperança de te abraçar. Tenho a sensação que tudo aconteceu enquanto eu ora te olhava nos olhos, ora desviava o olhar. Recordas-te de me teres mordido o lábio com o teu sorriso? A tua voz semirrouca convida-me a achar-te sexy e a tua típica timidez leva-me a ouvir todos os alarmes da paixão à primeira vista... Parecias seguir senhora de ti, num trapézio sem chão, lembrando-me o equilíbrio diário, que faço entre a busca do amor e a resignação de não estares neste planeta. Não tens vertigens? Confias em mim? Então, caminha de olhos fechados, que o sol não fere e o meu amor tem rede.

Se eu te contasse o que senti e a paz que me deu estar junto a ti...

Continua a caminhar, que eu sei que caminhas para mim, ainda que te afastes no momento.

Demora-te aqui, onde o sangue segura a veia poética e onde eu, de braços abertos, espero o teu tombar para te agarrar. Se caíres para a direita apanhar-te-ei com a alma, se caíres para a esquerda deixar-te-ei caída na rede que te teci, para no segundo seguinte te prender no casulo de todas as minhas palavras e emoções ardentes.

Cai tão simplesmente para o lado do meu coração. 
Cai de madura, como um fruto cai, sem saber se se vai aleijar ou cair na terra fofa, se vai ficar com nódoa ou se vai mudar o tom da casca.

Toda a queda tem o seu risco afinal meu amor!
Toma o teu tempo e cai quando quiseres, eu nada mudarei.
Serás o meu maior presente de Natal, mesmo que não caias na linha ténue do sentir.
De que massa são feitos os sonhos?
De confeitaria nada entendo, de sonhar acordado levo toda a vida, sem pensar em ingredientes.
Mas eu sei de que massa és feita, és feita de todas as palavras românticas que deixei à lareira. Nunca te faltará calor, claro está.
Cai quente e lentamente meu amor.
Ainda virás a tempo de perceberes que tudo o que quero para o novo ano és tu.
Cai!

Dezembro 2018

Sem comentários

Com tecnologia do Blogger.