Uma lufada de romantismo, by Filipe Correia

Uma lufada de romantismo semente armazem de ideias ilimitada

Olá meu amor! Meu amor, sim, meu amor. Agora que adormeceste, posso assim chamar-te, sem que te assustes…
Perguntas-me se tenho escrito e eu acho que te escrevo todos os segundos em que penso em ti. Mas ok, sim, é a primeira vez que te escrevo em 2019, ainda que sinta que te escrevo desde 200 a.C.
Agora é tal e qual nessa época, em que grandes batalhas se travavam, gauleses eram derrotados, forças romanas avançavam triunfantes e o mundo se construía. Agora, travo duras batalhas para conquistar um lugar no teu coração, resisto a ofensivas letais dos teus demónios, persisto contra todas as probabilidades às tuas fugas, luto contra os teus medos omnipresentes até à exaustão, não tenho armadura, nem escudos e quero acreditar que sobrevivendo construirei contigo o nosso mundo feito de sonhos e gostos comuns, em paz. 

A roleta russa do destino disparou-te contra mim. Sei que estranhas o imiscuir da pólvora, que me estranhas, que estranhas o meu entranhar num coração que julgavas congelado e necrosado, sei que estranhas a ironia do destino... Mas se já és bala cravejada em mim, eu mais não serei que sangue vivo que te irriga de amor. Deixa-te ficar que esta dádiva só agora começou, renega todo o universo, mas ela não…

Os ferimentos que me surgiram no decorrer das batalhas contra os teus fantasmas não me deixam dormir, ardem como fogueiras. Mas escrevo-te e a dor desaparece.
Querida, mesmo enquanto dormes és acendalha e ar para esta minha chama. Sei que na nova pele que terei em breve estará o teu sopro cicatrizante, estarás inteira. Sempre que me voltar a queimar, que esfole a pele, será um pouco de ti que perderei... 
Sei que te irás regenerar em mim, na nova pele que em breve terei, célula a célula, dia a dia… Quando deres por ti estarás tatuada em mim e nem te lembrarás mais do que te tapou o coração.

Sei que te sentirei, que sentirei o teu chamamento, como tu sentes a natureza.
Sei que sentirei a tua sede por ela e que nela me farei sempre que te beije a boca, de verde.
Sei onde está a poesia em ti, feito íman sinto o efeito de sucção. O teu olhar acama no meu, o teu toque lança pedras na minha mente, feito conto infantil. Aí, eu sei o caminho de volta a casa, vislumbro a casa dos doces ao fundo, o caminho na floresta, o rio correndo do lado esquerdo, a montanha ao fundo, o sol a espreitar por trás de uma nuvem e tudo isto sem me tocares.

Meu amor, ao teu lado serei sempre forte como uma viga de ferro, mas agora que as persianas da noite te baixaram as cortinas da visão e te colocaram de onde eu vim, nos sonhos, ai como me chove na alma!
Desejava tanto que estas lágrimas salgadas, fossem beijos teus de mar, escorrendo-me rosto abaixo, até ao meu peito…

Ai se estas lágrimas em modo chuva de estrelas ao menos me apaziguassem as dores! Sei que são tuas, pois eu sei como gostas de contemplar o céu estrelado e toda a via láctea. Céus! Como me provocas esta tempestade, sem que nunca tenhas trovejado em mim!?

É madrugada meu amor. Daqui a nada levantar-te-ás para mais um dia. Mas agora continua dormindo, que eu continuarei zelando por ti. Quando acordares, acorda com um sorriso, nunca nada me inspirará mais do que ele. E nunca te esqueças que em cada sorriso que semeias em mim, brota um rebento de ervilha no meu quintal.

Até já amor! 
No próximo século ficas comigo?

Janeiro 2019

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