Jovens Chefs pelo Mundo, by Fruta da Época

Afonso Blazquez Raposo

Este mês inauguramos uma nova rubrica com a assinatura da Fruta da Época! A Cláudia Silva Mataloto desafiou as miúdas para esta aventura gastronómica além-fronteiras e o desafio foi aceite! "Jovens Chefs pelo Mundo" vai ser salteada com a tradicional Fruta da Época, que tu já conheces. A ideia é apresentar-vos talentos portugueses espalhados pelo mundo e as suas receitas favoritas. Queremos que fiques a conhecer gente que fez a mala e, sem medos, foi à procura de uma nova oportunidade, foi partilhar com outros o seu saber, foi aprender, foi viver a sua experiência de vida 'apimentada' com tudo o que um país e uma cultura diferente têm para oferecer.

E para inaugurar a nova rubrica apresentamos-te o Afonso Blazquez Raposo, 22 anos, formado em Produção Alimentar em Restauração, pela Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril. Considera-se um cozinheiro que está sempre à procura de "uma maneira de extrair o máximo sabor de qualquer produto que cozinhe". Para ele, o sabor é rei. Atualmente, "reside" no El Celler Can Roca em Girona, Espanha. Já passou pelo Osteria Francescana em Modena, Itália. São só dois dos restaurantes que fazem parte de uma lista com os 50 Best Restaurants - a "Best of the Best".

Em Girona (agora a sua casa), o que mais aprecia é o que rodeia o "lendário" El Celler Can Roca, uma cidade pacata e humilde aos olhos de Afonso. Afinal, segundo ele, as raízes deste restaurante são precisamente a humildade e a simplicidade. Refere ainda que, por detrás deste "templo gastronómico", encontrou o lugar perfeito para estagiar. Sente-se acarinhado e querido pelas pessoas que lhe pedem nada mais do que o seu "absoluto melhor", desejando que aprenda "o máximo possível e com uma filosofia de trabalho e recursos humanos muito rara de se ver num restaurante." A comida do El Celler Can Roca, diz Afonso, "tem um sabor muito intenso e desafiante", permitindo ao jovem cozinheiro uma descoberta e aprendizagem constantes. Apesar de estar muito feliz, o nosso país corre-lhe nas veias e por isso de Portugal sente falta da família, dos amigos, da namorada... do mar e do cheiro a maresia.

Girona


Não resistimos a perguntar-lhe se tivesse um Armazém para guardar pequenos tesouros qual o tesouro que não poderia faltar? Ao que ele respondeu: "Num armazém guardaria o sentimento de dar felicidade e amor às pessoas através da minha comida, que, no fundo, penso que seja o que ela na sua forma mais profunda é, um ato de amor perante alguém. E claro como qualquer bom filho, a comida da mãe e o seu amor também!" 

E à pergunta "qual a fruta que alegra a tua vida"? O Afonso confessou que existem vários frutos que adora - "os citrinos, de certo, são os que mais gosto, entre eles o limão para cozinhar. Mas para comer, a tangerina é, sem dúvida, a fruta vencedora, pela sua acidez e um ponto de doçura e sensação de rebentação de frescura que nos dá na boca ao comer".

Obrigada Afonso pela tua simpatia e por dares mais sabor ao nosso Armazém!

E agora vamos à receita deste jovem cozinheiro! Espero que a experimentes em casa e nos dês a tua opinião.

Rosarinho


Sepia Salteada

Sepia Salteada

Esta receita surgiu a pensar num prato que comia quando vinha à terra da minha avó, em Espanha, quando era ainda muito miúdo. Sepia Salteada era com se chamava, e resolvi dar-lhe um pouco do meu toque com o ainda pouco conhecimento que tenho. Para isso, adicionei-lhe sabores que associo à cozinha espanhola e dos quais gosto bastante, nomeadamente, a lula, o tomate, o pimento, a paprika e o chouriço. 

Ingredientes

Para 4/5 pessoas
7 tomates de rama
7 tomates-cherry
1 lula
Meio chouriço de carne
1 cebola
5 alhos
2 Fatias de pão (boa crosta) robusto
5 pimentos vermelhos
Molhos inglês q.b.
Vinagre balsâmico q.b.
Vinho branco (50 ml)
Limão 1 unidade
Paprika q.b.

Modo de confeção

Para a lula:
Arranja-a, tirando os interiores e a pele. Corta o corpo em rodelas e mantém os tentáculos. Marina-a em paprika previamente tostada numa frigideira, alhos esmagados (5), 1 fio de azeite, pimenta-preta, raspa de 1 limão e vinho branco (50 ml). Deixa marinar por 24 horas.

Para o ketchup:
Queima os tomates (6) com pele no fogo do fogão ou qualquer outro fogo, até ficarem pretos. Refoga a cebola finamente picada em juliana, até ficar com cor castanha. Junta os alhos e o tomate e deixa cozinhar em lume brando, até ficar tudo em papa como compota. Corrige os temperos de sal, pimenta, molho inglês e vinagre balsâmico. Tritura até ficar com consistência de ketchup, ou em opção podes juntar um pouco de xantana (0,02 g), que é como se costuma corrigir a textura num restaurante.

Crocante de chouriço: 
Assa o meio chouriço em rodelas no forno, até ficar tostado e crocante. Tosta as fatias de pão e tritura tudo, até ficar com consistência de uma areia.

Puré de pimentos assados:
Assa os pimentos num forno a 170º, até ficarem cozidos (cerca de 25 a 30 minutos). Quando assados retira a pele e reserva a carne do pimento. Tritura tudo e corrige os temperos de sal, pimenta e açúcar.

Para finalizar as lulas, escorre a marinada. Prepara uma frigideira antiaderente bem quente com azeite. Salteia as lulas durante 50 segundos e, nos 10 segundos finais, junta um pouco da marinada. Deixa cozinhar durante uns segundos e está pronta para servir.

Num estilo familiar, serve as lulas num recipiente e os respetivos acompanhamentos serve-os noutros recipientes à parte, como molhos, exceto o crocante que se deve pôr por cima das lulas. Se te sentires aventureiro, podes seguir o empratamento da imagem! ;)

Afonso Blazquez Raposo


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