6 perguntas a... Fábia Maia


Tropeçámos na sua 'melodia', que nos levou até um 'lugar abençoado', onde nos deixámos envolver pela 'vibe certa'! Nela encontramos a força de uma Mulher, com M grande. A garra e a coragem de ousar no mundo da música usa-as como forma de luta por uma sociedade mais justa, mais inclusiva, com maior respeito pela diferença. Falamos de Fábia Maia e, a propósito do lançamento do videoclip do seu mais recente single - "My Baby" - lançámos-lhe o desafio de responder às "6 perguntas a..." do Armazém de Ideias Ilimitada!


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Para quem não conhece, quem é a Fábia Maia?
A Fábia Maia é alguém que procura a liberdade constantemente. Não quero nunca não ser aquilo que eu realmente sou, nem evitar a minha verdade. Comecei com covers no YouTube, de Halloween, Valete, Regula, Bezegol, etc. Fi-lo porque foi a única forma que encontrei de matar saudades de um amor antigo que não ultrapassei sozinha e a música foi o caminho que escolhi para me mostrar a verdade. Mais tarde, trabalhei com artistas que admiro, o Slow J, o Jimmy P e pisei palcos com o Regula e o Valete. Vivi a cena toda e lancei o EP "Melodia-me". Hoje em dia, estou a viver de música e lanço o que sinto, sempre perto de mim e com a mensagem que eu quero, quando quero. Eu acredito na Fábia Maia assim.

Quando é que percebeste que a música era o teu caminho?
Eu percebi que a música era o meu caminho quando me diziam que ficavam mais leves ao ouvir-me e que adormeciam comigo nos phones. Essa parte da inspiração é o maior reconhecimento que podem dar a alguém. Também soube que seria a minha vida e será, porque realmente é o que me leva a quem sou e ao que sinto. Não quero nunca me distanciar disso!

No press release de apresentação podemos ler a frase "uma mulher que agarrou em canções de homens e as fez suas, sem pedir licença". Qual a importância de criar estas versões, que (julgamos nós) serão de algumas das tuas influências musicais? 
Acho que essencialmente a questão da diversidade. Quando tu interpretas algo que no fundo não é teu, uns dias depois vais ver que o teu sentimento está lá. Também é importante perceber que há mulheres a fazer música em Portugal e com talento o suficiente para mudar mentes e transformar melodias. Nunca me vou esquecer que o fascínio está na diferença que nos caracteriza, como diz o Valete. Eu guardo isso e tenho a certeza que quem me reconhece sabe que a minha vibe é o sentimento. 


Numa altura em que tanto se fala do direito à liberdade e à diferença, das desigualdades entre homens e mulheres, e sendo tu uma "autora com mensagem", achas que a música continua a (poder) ser um forte veículo para mudar mentalidades?
Quando vejo cartazes completamente repletos de masculinidade, quando vejo a escassez de visibilidade dada a uma Mulher, eu não tenho dúvidas de que a música, desde que seja feita, e bem feita, terá sempre a mensagem de que "nós estamos aqui". Não tenho dúvidas que é extremamente difícil singrar como Mulher, principalmente quando lutas all by yourself contra rituais da indústria, contra o money. A única que não desistiu de mim, fui eu e esse é o maior orgulho que tenho, independentemente do meu caminho. Acho que isto é o que tem efetivamente valor e a música tem a sua conotação por isso, por ser inspiradora e por abrir caminhos. Se existe espaço para Mulheres, então que se abram as oportunidades e, um dia, vou ler esta entrevista e dizer que eu estava realmente certa, porque as oportunidades vão surgir através da fé.

Qual a 'vibe' que gostarias de deixar no mundo? 
Gostava que as pessoas fossem livres. Eu gostava de ver essa vibe. Vivemos presos ao "não podemos" e nunca ao que queremos. Isso parece-me tão injusto para nós e para todos. Se sentes alguma coisa, não mintas, a vibe e a vida é tua. Para mim, não haverá nada mais lindo do que morreres livre e real.

E, para terminar, o que te 'melodia' no dia a dia?
Melodia-me a minha mãe, por ser inspiradora e não se prender ao que não gosta e não quer para ela, por me ter criado só e nunca me ter faltado nada. Melodia-me saber que trabalho todos os dias para um dia dizer que consigo realizar um sonho. Melodia-me a saudade de quem amo e não me ama, inspira-me a escrever versos. Melodia-me a música que é feita com o coração, sobre o que somos e não sobre o que temos. Na verdade, a melodia está na fé que depositamos nas coisas, nomeadamente no amor que perdeste e te custa aceitar, porque ainda amas, na luta diária de uma mãe para seres feliz, nos teus sonhos. Nunca deixar de ter sonhos, essa é a melodia perfeita.

Obrigada Fábia Maia por teres aceite este desafio. As miúdas do Armazém de Ideias Ilimitada desejam-te o maior sucesso!

Rosarinho & Susana 

Agradecimentos: Fátima Mineiro


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