Hoje vamos descobrir… by Marisa Sousa

Hoje vamos descobrir padrão dos descobrimentos

Em maio, no primeiro post da sua nova rubrica aqui no blog, a Marisa Sousa deixou-te a promessa… "No próximo Hoje vamos descobrir… vou-te levar à Tailândia, sem saíres de Belém, ao Beco do Chão Salgado e vamos ter um reencontro muito especial…" E, hoje, a descoberta continua!

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Padrão dos Descobrimentos – Sem o pior não teríamos o melhor

Continuamos e deparamo-nos com o Padrão dos Descobrimentos. Um dos mais bonitos monumentos da nossa Lisboa e de Portugal, não sem antes passarmos pelo Museu de Arte Popular.
Lembras-te de te dizer que iríamos falar do melhor e do pior da nossa História?

Pois bem, se não fosse pelo pior da nossa história não teríamos este museu nem o Padrão dos Descobrimentos. Estes dois edifícios são resquícios, a par da Praça do Império do outro lado da estrada, de algo que o ditador Salazar assumiu: a Exposição do Mundo Português em 1940, cujo objetivo era mostrar ao Mundo o quão grandioso era Portugal, com a sua história e o seu território, na altura com as colónias em África, mas, claro, sempre com o objetivo de propaganda nacional.


Hoje vamos descobrir padrão dos descobrimentos miúdas

Alguma coisa boa lá deixou, o senhor. O Museu de Arte Popular, para além de uma exposição permanente sobre a nossa arte, é também palco de muitas exposições temporárias.

E o imponente Padrão dos Descobrimentos, que nos lembra os nossos descobridores, a nossa epopeia, em 1940, tinha uma estrutura bem leve e efémera, mas em 1960, pelo 500.º aniversário da morte do Infante D. Henrique, foi reconstruído, conferindo-lhe uma estrutura duradoura.

Ao comando do monumento, podemos ver o Infante D. Henrique, rodeado de 32 figuras, entre os icónicos descobridores, navegadores, e outras figuras importantes da história dos Descobrimentos.


Hoje vamos descobrir padrão dos descobrimentos

Desafio Olha bem, quando lá fores, e descobre a única mulher entre eles, a única mulher. Ela é a rainha D. Filipa de Lencastre mãe do Infante D. Henrique e de mais cinco filhos, um deles que se tornou rei, e de outros que viriam a prestigiar Portugal no Mundo, intitulados por Luís de Camões de Ínclita Geração. E ainda uma outra importante figura da nossa história com um pergaminho na mão: claro está, o contador da nossa epopeia, o próprio do Luís de Camões.

Se quiseres subir ao topo do monumento tens, com toda a certeza, uma das melhores vistas sobre Lisboa e o Tejo, mas olha de frente, e para cima, e admira a espada gigante que acompanha a subida. Porém, há tanto mais a descobrir. Vai até lá e vê mais aqui.

No chão que pisamos, à entrada do monumento (outros dos locais mais bonitos que podemos pisar e admirar), temos a Rosa dos Ventos que nos foi oferecida pela África do Sul, em 1960, onde podemos ver que, em tempos, fomos donos de metade do Mundo, até onde chegámos, ultrapassando as dificuldades dos ventos, dos mares, do desconhecido, e apenas com naus, quando hoje temos grandes navios sofisticados e até submarinos. Para e admira mais uma vez.

Tailândia em Belém

Bom, então viemos para o lado dos Jerónimos e não falamos dos Jerónimos? (só isso merece um post). Não, e também não foi para comermos um pastel de Belém. E sim, fomos resistentes e não comemos.


Hoje vamos descobrir pavilhão tailandês belém

Em pleno jardim de Belém, onde em criança brincava com os meus pais e avós (e fico contente de ver que ainda hoje muitas famílias o fazem), encontramo-nos com a Tailândia, através de um Pavilhão Tailandês ali escondido, que nos foi oferecido pelo reinado deste país do Sudeste Asiático, em 2012, para comemorar 500 anos de relações diplomáticas. Um facto curioso é que foi construído sem um único prego.

Beco do Chão Salgado – Um beco escondido talvez para esconder o pior

Atravessamos a estrada e dou-te a conhecer (como te disse) um dos piores episódios da nossa História.

Entre os pastéis de Belém e o Starbucks existe um pequeno beco, de seu nome Beco do Chão Salgado, com um padrão com cinco anéis. Este local relembra a chacina de cinco elementos da família Távora levada a cabo pelo Marquês de Pombal (aquele que reconstruiu Lisboa depois do terramoto de 1755), que os acusou da tentativa de assassinato do rei D. José I, que tinha uma relação extraconjugal com uma marquesa da família Távora. Porém, Marquês de Pombal tinha de marcar posição frente a uma das famílias mais poderosas de Portugal, os Távora, pela qual tinha uma enorme inveja e raiva. Assim, aproveitou esta oportunidade, acusando-os pelo atentado à vida do rei. Cinco dos membros desta família foram brutalmente assassinados (há quem diga que na História de Portugal não houve chacina igual), em praça pública, talvez ali em Belém.


Hoje vamos descobrir beco do chão salgado

Hoje vamos descobrir beco do chão salgado marisa

Mas aqui neste beco, onde existia o Palácio de Aveiro, dos Távora, que o Marquês de Pombal mandou destruir e sobre o seu chão deitar sal, para que nada ali nascesse mais. Daí o seu nome. O que é um facto é que nada ali nasceu mais.

O regresso ao carro – Descobertas de arte contemporânea e reencontros com os romanos

De volta ao carro, passámos pelos Jerónimos, pelo Planetário e demos de frente com uma das obras de Bordalo II, que nos relembra que do lixo se pode fazer arte, que nada se perde e tudo se transforma e que andamos a cuidar muito pouco da mãe natureza. Continuamos pela Rua Bartolomeu Dias, ao lado do CCB, até à Avenida da Índia e não é que aqui também encontramos algo que só olhando com atenção é podemos apreciar. Na parede, um painel de azulejo evoca o 'superpoeta', Fernando Pessoa.


Hoje vamos descobrir mosteiro dos jerónimos

Hoje vamos descobrir arte urbana bordalo ii

Mesmo à beira do Hotel Nau Palácio do Governador 5*, antigo palácio onde vivia o governador da Torre de Belém, hoje transformado em hotel, na Travessa da Saúde, está uma porta com um ponto de interrogação. Ninguém sabe quem o fez, nem por que o fez, mas penso que é simplesmente representativo da vida. Ninguém sabe o que está por trás de cada minuto de cada dia, e em plena Travessa da Saúde só me lembra, vive a vida (já o Boss AC diz na sua canção Estou Vivo).


Ao passares por aqui, não tenhas vergonha, entra pelo hotel adentro e pede para simplesmente contemplares as zonas comuns. Logo à entrada vais encontrar ruínas romanas, onde guardavam as ânforas para conservar o azeite, e de uma antiga fábrica romana de molho de peixe. A receção situa-se na antiga capela com lindos azulejos e um imponente piano. E, ao passares pelas as salas que preservam muito dos seus tetos, azulejos, quadros da altura, encontras o terraço com vista para…. A Torre de Belém e o Tejo.


Hoje vamos descobrir miúdas no hotel palácio do governador

Hoje vamos descobrir quadro lisboa

Terminámos esta manhã, ou tarde, cheios de entusiasmo para redescobrir cada vez mais.

Espero que te tenha colocado o 'bichinho' de descobrires por ti e olhares com outros olhos para o nosso Portugal, seja aqueles locais que nos orgulham, ou mesmo outros que nos lembram coisas menos boas. Mas a história de vida de cada um nós, da cada nação, é mesmo assim. E relembrar as coisas boas é bom e as coisas menos boas também, pois só aprendemos.

Belém vai com certeza merecer outro post, nem que seja só por um momento ou vários. Mas prometo que não iremos falar só de Belém.

Até à próxima visita!


Marisa Sousa

Nota: A fotografia do Pavilhão Tailandês é da autoria de Neil, retirada da página Common Wikimedia

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