Diário de uma Cozinha Anunciada

Obras ba cozinha, pela Eilar

Querido Diário, 


Isto é mesmo a sério! Pó, desarrumação, algumas paredes partidas, corredor congestionado... As obras já andam por cá há uma semana (pois... eram para ter começado a 15, mas o Jaime adoeceu e a culpa foi de Mercúrio retrógrado). Mas nem tudo é tão caótico como parece. Tenho de celebrar a eficiência, a rapidez e a tranquilidade dos mestres deste quadro de operações. O Jorge da Eilar até queimou, de uma só vez, 125 calorias, apenas por transportar os móveis da cozinha. Para ele, também está a ser uma boa experiência. Mas quero contar-te tudo, desde o dia 0 até ao dia 7. Está na hora de exorcizar o stress... e de te dizer que estou muito feliz, acima de tudo.


Dia 0 - Uma cozinha encaixotada e tarecos espalhados pela casa 
Na véspera do arranque das obras, eu e o J. tirámos o que estava, ainda, dentro dos armários e tentámos encontrar espaço para os caixotes entre a sala e o escritório. Fizemos alguma ginástica, mas conseguimos dar conta do recado. Tivemos de retirar alguns livros da sala, colocar a mesa de apoio ao sofá numa outra posição, para que o frigorífico pudesse fazer parte da decoração. Trocámos o porta-revistas pelo micro-ondas. Atrás de mim, no escritório, estão dois caixotes, ao meu lado, os tachos e as panelas (para cozinhar posts deliciosos) e numa das estantes, habitam algumas das plantinhas que estavam na cozinha. Elas parecem gostar de aqui estar. As restantes conseguiram encontrar refúgio na sala. No corredor, estiveram, durante 5 dias, as máquinas de lavar loiça e roupa, o que nos dificultava a passagem, mas a malta é elegante e nunca ficou entalada.


Obras em casa, pela Eilar


Obras em casa, pela Eilar


Obras na cozinha, pela Eilar


Dia 1 - Caiu uma bomba na cozinha
No primeiro dia de obras, propositadamente, cheguei a casa bem tarde. Aceitei o convite da Laura Mateus Fonseca e fui até à Faculdade de Ciências Sociais e Humanas - NOVA FCSH assistir a uma aula aberta, cujo tema era "O livro em dois atos". Quando meti a chave à porta, já passava das 22h00 e foi uma tragédia em três atos! Cozinha completamente despida, parede partida, cacos no chão. Parecia que tinha caído uma bomba. Nunca estás preparada! É quando te confrontas com a realidade suja e crua. Fechei a porta. Na sala, o frigorífico ganhou destaque. Jantei, li um pouco e, antes de adormecer, senti-me uma verdadeira Scarlett O'Hara. Disse para os meus botões: "Por pior que seja a noite, amanhã é outro dia."


Obras na cozinha, pela Eilar


Obras na cozinha, pela Eilar


Dia 2 - Libertei o Thor que há em mim
No segundo dia, o choque já passara. Voltei a chegar tarde a casa. Aceitei o convite da minha amiga Beladina e fui até ao shopping ver as montras. De regresso encontrei um cenário mais calmo. E convenci-me de que o pior já tinha passado (tola!). Até me diverti a cuscar as ferramentas que o Jaime deixou na cozinha e fiquei encantada com um martelo. De repente, libertei o Thor que havia em mim e tive uma vontade louca de partir mais uma parede. Mas não. Foi só mesmo a vontade. Para além de o espaço estar mais limpinho, o Jaime adiantara todos os procedimentos em relação às instalações elétricas e canalização. Tudo a correr a bom ritmo. 


Obras na cozinha, pela Eilar


Obras na cozinha, pela Eilar

Dia 3 - Uma surpresa, o universo conspira
Se tens obras em casa, quanto mais tarde chegares melhor. Fui escrever para o Parque Urbano da Ribeira dos Mochos e curtir a natureza. Depois, com a alma apaziguada fiz a minha aula de yoga, orientada pela Marta da Dil Samatvam Yoga Shala Cascais. Entrei no ninho em obras já passava das 21h00 e tinha uma surpresa à minha espera. Os azulejos tinham chegado antes do prazo previsto. O universo a conspirar!!!


no parque urbano da ribeira dos mochos

Obras na cozinha, pela Eilar

Dia 4 - O caos regressou, mas as paredes estão bonitas
No dia em que resolvi chegar mais cedo a casa, sofri um abalo sísmico. O caos voltara à cozinha. Mais uma parede partida, duzentos mil quatrocentos e oitenta e nove cacos espalhados pelo chão (não os contei... estou a inventar)... MAS, (atenção que o 'MAS' aqui é importante), metade da cozinha estava com uma nova roupagem. As paredes exibiam os maravilhosos azulejos 30x60 cm. Esqueci o pó que dava uma tonalidade esbranquiçada ao corredor e à casa de banho e perdi-me de amores pela novidade. A verdade é que a ordem nasce do caos.


Obras na cozinha, pela Eilar

Obras na cozinha, pela Eilar

Dia 5 - Diretamente de Gütersloh para a Ajuda
A manhã trouxe uma boa notícia. Os móveis da cozinha chegavam à Ajuda, depois de uma viagem longa desde a Alemanha (o Jorge, da Eilar, fez um vídeo para eu não perder pitada). Fiquei muito feliz porque tudo estava a acontecer dentro do prazo previsto. Nesse dia, tinha agendado com a Susana e com umas amigas um tipo de um sunset na FIARTIL - Feira de Artesanato do Estoril. Foi o cenário perfeito para brindarmos ao verão, à amizade e à nova cozinha. Ainda tivemos tempo para visitar a Pakkika, que tem um espaço muito bonito na feira, cheio de coisas lindas. Claro que fizemos compras! Mas o dia acabou com outra grande notícia. Para além das paredes estarem quase prontas, o Jaime informou-me que, no sábado, iria colocar o pavimento. 


Obras na cozinha, pela Eilar


Obras na cozinha pela Eilar


Pakkika

Dia 6 - De roda das panelas e os pulos de alegria
Lembras-te que eu tinha dito que uma das coisas boas das obras era não ter de cozinhar? Pois... Eu também achava, mas depois de uma tarde na Gulbenkian, eu e o J. acabámos na cozinha da minha sogra, em frente ao fogão e à Bimby. Confesso que até foi uma boa solução. Não há nada como os nossos cozinhados. Assim, temos o frigorífico (a peça mais bonita da sala) recheado até ao próximo fim de semana. Antes de regressarmos a casa, ainda passámos por uma lavandaria, para secar a roupa que a minha sogra fez o favor de lavar, mas que a chuva não deixou secar. Chegámos cansados, mas ainda tivemos energia para pularmos de alegria! A cozinha sorria com o chão novo. Parecia um salão de baile. Estou com uma imensa vontade de colocar chão flutuante no corredor e na sala! Pode ser já?

Jardins da Gulbenkian


obras na cozinha, pela Eilar

Obras na cozinha, pela Eilar

obras na cozinha, pela Eilar

Dia 7 - Termoacumulador e arte nas paredes
Ponho a chave à porta e quem está do outro lado à minha espera? O termoacumulador (acho que o esquentador está cheio de ciúmes, não percebo porquê vou-lhe dar reforma antecipada!). Mais uma novidade para colorir o meu final de dia. Mas coloridas, também, estavam as paredes da cozinha. O Jaime fez uma espécie de pinturas abstratas que até gostei. Ok, ele só esteve a tapar furos e a retocar imperfeições na parede, mas deixa-me viajar um pouco na maionese! 


caracóis


Obras em casa, pela Eilar


Obras em casam, pela Eilar

E mesmo no fecho deste post fui informada de que a cozinha fica pronta na próxima segunda-feira! E pensar que há duas semanas andava a rezar a todos os santinhos e santinhas para que tudo corresse bem, para que não houvesse derrapagem nos prazos e que conseguíssemos lidar com o estilo parque de campismo que a minha casa adotou. Estou tranquila, porque apesar do cenário caótico que se vive por aqui, sobrevivemos!!!

Quero agradecer-te por estares a seguir esta aventura com carinho!

Se depois deste post enorme se, ainda, tiveres paciência podes ler os anteriores ;)

Rosarinho

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