Um parque, galinhas sultanas e um camaleão


Quinta do Marim, Olhão

Se gostas de caminhar na natureza, de observar aves e camaleões, então este post é para ti. Continua a ler! Vem passear comigo até ao Parque Natural da Ria Formosa - Quinta do Marim, em Olhão (Centro de Educação Ambiental de Marim).


Quinta do Marim, Olhão

Durante as minhas férias na 'terra do verão' (designação carinhosa para o Algarve, mais concretamente para Santa Luzia onde o sol reside quase todo o ano e não faz ventania), senti muita vontade de fazer algumas caminhadas na Natureza. No ano passado aventurei-me num passeio pelas salinas da Ria Formosa e adorei, por isso este ano fui até à tabacaria do Mercado de Tavira e comprei o Mapa das Estradas e Percursos Pedestres do Algarve. Bom, só te digo que tens à tua disposição 33 opções de percursos a pé. Fiquei com vontade de fazer vários, mas só conseguimos fazer um. A praia falou mais alto e as saudades do areal e do mar, também.


Mapa das estradas e percursos pedestres do Algarve

Este trilho de descobertas da Natureza ambiental de Marim está integrado no Parque Natural da Ria Formosa que abrange 60 km da costa sota-vento do Algarve. Ou seja, estende-se entre o Ancão e a Manta Rota, ocupando cerca de 18.400 ha que estão salpicados pelos concelhos de Loulé, Faro, Olhão, Tavira e Vila Real de Santo António. 


Quinta do Marim, Olhão


A entrada na Quinta do Marim tem um custo de 2,80€ por pessoa (não tenho a certeza se para os locais é grátis). À tua espera está um percurso de 3 km que consoante a tua passada e paragens (e olha que eu fiz muitas), pode demorar entre 90 e os 120 minutos. O caminho é de terra e areal e trata-se de um percurso circular (entregam-te um mapa que te ajudará a descobrir as riquezas do lugar).


Quinta do Marim, Olhão

Este verão deu-me para 'cuscar' a vida da passarada! Comprei uns binóculos e senti-me uma verdadeira exploradora da vida animal. Por isso neste percurso, a água, calçado confortável, chapéu e binóculos foram essenciais para o sucesso da passeata. Lembrei-me tanto do David Attenborough e dos seus programas sobre história natural. Mas continuando...

Ao longo deste trilho tens a oportunidade de descobrir alguns ecossistemas da Ria Formosa como: zonas de sapal, salinas, dunas, pinhal, charcos de água doce e ainda galinhas sultanas, bocas e camaleões. Sabias que o caimão-comum e a galinha sultana (espécies raras no nosso país) encontram neste paraíso o local ideal para se reproduzirem? Por essa razão é que a 'cara' do Parque Natural da Ria Formosa é a galinha sultana. E olha que eu estive a observá-las.

Ao longo do percurso tens muita coisa para visitar: o Centro Interpretativo, o Moinho da Maré (uma casa agrícola tradicional), a casa do poeta João Lúcio (transformada em ecoteca), ruínas arqueológicas da época romana e encontros imediatos com camaleões. 


Quinta do Marim, Olhão



Não vi tudo, até porque o meu interesse estava mais na proximidade com a natureza e por isso perdi-me a ouvir o som das aves e a tentar encontrá-las nos galhos das árvores. As rolas-turcas gostam muito de aparecer (até acho que adoram ser fotografadas), as pegas-rabudas também dão o ar da sua graça no céu e houve um momento muito especial... consegui observar um pica-pau! Para quem só avistava rolas e pegas foi um festim para os olhos.

Mas o melhor estava para vir. Como caminhei em silêncio, porque queria mesmo ouvir a natureza, o som de folhas a serem mexidas no chão colocou-me em alerta. E o que descubro? Ele tentou camuflar-se mas eu topei-o. Nunca tinha visto um ao vivo e a cores. Já adivinhaste. O belo do camaleão! 'Ala, que se faz tarde', começou a trepar por uma árvore e escondeu-se. Era tímido. 


Camaleão na Quinta do Marim, Olhão

Depois desta experiência fantástica (pelo menos para mim... eu não sei se gostas de camaleões), fui pôr-me ao fresco no observatório de aves (uma casinha de madeira preparada para o Big Brother da passarada). Tinha ficado ali o resto do dia a adorá-las. E foi nessa observação que vi a famosa galinha sultana, alguns exemplares de garça-boeira, pato-coelheiro, mergulhão-pequeno e (não tendo a certeza, porque não sou especialista) acho que vi um guarda-rios. 


Quinta do Marim, Olhão

Mas infelizmente nem tudo é belo. E a culpa é de quem? Nossa! Porque continuamos a não respeitar a natureza independentemente de todos os alertas que nos chegam diariamente e cada vez com mais frequência. Continuamos a tapar os ouvidos e a olhar para o nosso umbigo. Achando que somos intocáveis e que os recursos naturais são inesgotáveis. São vários os problemas que afetam o Parque Natural da Ria Formosa: o lixo e entulho junto dos sapais e das salinas e a "deposição anárquica de resíduos sólidos" são dois exemplos. E foram os que me saltaram à vista. Será que não podemos visitar um espaço tão sereno e belo sem deixar a nossa pegada? Será assim tão difícil? Eu vi garrafas de água e sacos plásticos espalhados pelo areal!!!!  Já chega, não? Fiquei triste. Isto sou eu na versão desabafo. Ainda assim os bocas (ou caranguejo-violinista) pareceram-me felizes, na sua vidinha atarefada, movimentando-se de um lado para o outro. 


Quinta do Marão, Olhão

Por fim, não queria deixar de referir que nesta quinta existe o RIAS - Centro de Recuperação e Investigação de Animais Selvagens e pelos sons que ouvimos quando passámos à porta estava com alguns pacientes internados. Este 'hospital' acolhe e trata animais que são encontrados feridos ou debilitados e que depois de tratados são libertados no meio natural (sempre que possível). Para além deste importante trabalho, o RIAS dedica-se à investigação dos fatores de risco para a conservação das espécies selvagens bem como à educação ambiental da população para a importância da Biodiversidade.


Quinta do Marim, Olhão

Espero que tenhas gostado de fazer esta passeio na minha companhia. E espero que num destes dias consigas passar por lá. Se vires o meu amigo camaleão diz-lhe que lhe mando um abraço.

Rosarinho

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