Tempo. Precisa-se!

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Ultimamente tenho tirado um tempo para pensar no tempo. Não estou a falar de meteorologia. Estou mesmo a falar do tic-tac constante que são as nossas vidas. Ainda ontem estava em Tavira, a viver o verão, e hoje dou por mim a pensar nas minhas férias de Natal!!! (Natal, outra vez? Daqui a pouco já estou a comer as doze passas e com um pé em 2020). Pois é! Vivemos numa correria desenfreada, escravos dos relógios e das 'urgências' diárias que nos impõem. E quando damos por nós, já era! Não conseguimos saborear aquele momento que tanto ansiávamos, porque o sistema montado está sempre a empurrar-nos para um futuro que nem sabemos se chegará. É a nossa condição atual. 
Tempo. Precisa-se!



Tenho refletido muito sobre isto de ter tempo e principalmente ter tempo de qualidade. Tempo para estar comigo, para fazer aquilo que gosto, ou para não fazer nada (que é um exercício danado para mim!). Aliás em tempos já escrevi sobre isto e de repente tive a consciência que evolui um pouco. Isso é bom sinal! E andava eu nesta deambulação de pensamentos quando me cruzo no Instagram com um post belíssimo da Urbanista a.k.a. Paula Cordeiro. Ela escreveu sobre o trabalharmos mais do que devemos, sobre os sacrifícios que fazemos e sobre aquilo que abdicamos a troco de quase nada. Precisei de ler aquele texto para decidir tirar um tempo e voltar a escrever-te sobre a minha luta constante para ter tempo de qualidade, porque nunca é demais falar deste tema.

No final do ano passado andava desmotivada e sentia que a minha vida precisava de uma mudança. Algo tinha de acontecer. Fiquei atenta e com o coração aberto. O que tanto desejei chegou no segundo mês de 2019, uma espécie de presente de Natal tardio (e sobre isto falarei na newsletter de outubro). Este novo desafio está a exigir muito de mim, mas estou feliz. No entanto tive de me propor a desenvolver mecanismos para manter o equilíbrio. Estou ainda numa fase de transição/adaptação e foi muito importante ter decidido cuidar de mim, ouvir-me e respeitar-me. 


tempo

A minha vida não é só passar por aqui e escrever umas coisas no blog (que eu tanto amo) ou alimentar as Redes Sociais. Tenho um emprego, tenho uma casa e um marido (Mr. J. tem muita paciência para mim), tenho uma família (a quem de vez em quando digo 'olá, vamos tomar um café por aí? ), tenho amigos com quem adoro partilhar um bom vinho e muitas conversas, tenho um clube de leitura para promover, tenho eventos para comparecer... E nesta miscelânea onde é que eu fico? Perdida no meio de tantos compromissos. Parece que passo a vida a correr e assim que atinjo a meta oiço, novamente, o tiro de partida. O dia acaba e volta tudo ao princípio, estou em loop. Desse lado sentes o mesmo?


tempo para mim

E como é que encontrei o equilíbrio? Ou melhor como estou a tentar encontrar todos, os dias, o equilíbrio? 

1. Ter um momento só meu de segunda a sexta
Acordo mais cedo é verdade, mas vale muito a pena. Tenho uma hora e trinta só para mim. O silêncio da casa é meu parceiro neste amanhecer. Medito 10 minutos (pode parecer pouco mas para mim é suficiente). Escrevo 3 páginas no meu caderno que está sempre na mesa de cabeceira. Escrevo sem me preocupar, sem criticas. É colocar no papel o que me vem à cabeça. Esta prática designa-se Morning Pages (a responsável por este método é a escritora e jornalista americana Julia Cameron) e ajuda-me muito a desbloquear e a apurar a minha criatividade. Como amo escrever, aqueles 10/15 minutos são maravilhosos. Já dei por mim a escrever sobre certas coisas que mais tarde me levaram a reflexões e a alterações de comportamento. Depois, com calma, ponho-me bonita para sair de casa e a última coisa que faço antes de arregaçar as mangas e enfrentar o dia é sentar-me com calma e tomar o meu pequeno almoço (quase que arrisco a dizer que é a minha refeição preferida do dia). Slow Coffee, torradas com manteiga, iogurte com frutos secos e quando posso esticar um pouco a corda, faço ovos mexidos. Durante a refeição tenho, sempre, a companhia de um livro. Ler acalma-me. Parece que o tempo para. Assim são as minhas manhãs de segunda a sexta.


Morning Pages


2. Pausa na hora de almoço
Sair do escritório na hora do almoço é fundamental para mim. Se apanho sol, chuva, vento ou frio não importa. O que conta é aquele momento em que vou almoçar ou tomar café com um colega, ler um pouco, ou simplesmente caminhar no meu parque favorito. É essencial afastarmo-nos do ambiente de trabalho na hora de almoço. É mesmo um momento higiénico. Limpar os registos, renovar energias, desligar do computador e ganhar balanço para a etapa da tarde. Neste momento refresco a minha criatividade e ás vezes até desenrolo o novelo de alguma situação mais chata. Também já escrevi sobre este ritual da hora de almoço.


No Parque


3. Praticar Yoga
Toda a vida tenho sido uma apaixonada por desporto. E sempre encontrei tempo para treinar. Desde pequena que pratico exercício físico: ginástica desportiva, aeróbica, hidroginástica, aparelhos de musculação, corrida, treino funcional... Estas modalidades puxavam por mim, motivavam-me a superar-me, a desafiar-me. Adorei todas estas fases. Mas agora, preciso de um outro ritmo, mais calmo, que me ajude a abrandar. Sinto aquela necessidade de me (re)encontrar ao final do dia e isso eu consigo com o Yoga. O foco, o deixar tudo para trás, o viver o agora são importantes para manter o equilíbrio na correria dos dias. Continuo a desafiar-me e a superar-me, porque sou uma iniciada nesta modalidade. No tapete trabalho corpo e mente. Mimo-me, acima de tudo. Estou comigo. Para complementar esta prática gosto de fazer caminhada desportiva a ouvir a minha música. Focada nas letras, nos ritmos e na natureza à minha volta, relaxo e tenho tempo de qualidade.

Yoga


4. Parar antes do relógio marcar as 20h00
Quando saiu do trabalho vou para a minha other life (como habitualmente digo com muito carinho, porque gosto mesmo desta minha vida dupla). Escrever, fotografar para o blog e promover o que escrevo exige muito tempo e dedicação. É algo que faço com amor. Mas tive de colocar limites. E assim ando a tentar encontrar a melhor forma de me organizar. Sem stress, sem pressão, sem o 'tenho de' (não é fácil). Eu sou muito exigente comigo e às vezes quero ser mais papista que o papa. Não vale a pena, já percebi. Prometi a mim mesma que antes das 20h00 dava o dia de 'trabalho' por encerrado. Janto tranquilamente enquanto partilho as peripécias do meu dia com Mr. J. e depois, estico o corpo na chaise long e assisto às minhas séries de culto. Antes de dormir, ainda leio um pouco... Mas é mesmo pouco porque o aconchego da cama é parceiro do sono.

Stranger Things


O tempo perguntou ao tempo quanto tempo o tempo tem, o tempo respondeu ao tempo que o tempo tem tanto tempo quanto tempo, tempo tem. Este trava-línguas é uma pescadinha de rabo na boca. E assim andamos nós aos círculos e sempre a correr para a próxima tarefa. É urgente desenvolver estratégias para romper com esta espiral de exigências, urgências, stresses, controlo, obrigações que nunca mais acabam. 

O tempo perguntou-me quanto tempo o tempo tem, eu respondi ao tempo vai tomar um copo que eu também!

O que fazes para teres tempo de qualidade?

Rosarinho

2 comentários

Maria Ramos disse...

Excelente este post parabéns vou ficar atenta aos próximos bjs

Armazém de Ideias Ilimitada disse...

Obrigada pelo teu comentário Maria :)
Esperemos que tenhas tempo para nos acompanhares, aqui no blog.
Beijinhos

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